Tradução cultural, universalidade e emancipação

Auteurs-es

DOI :

https://doi.org/10.26512/belasinfieis.v14.n2.2025.54206

Mots-clés :

Tradução cultural; política; ideologia e poder.

Résumé

De certa forma, a história dos Estudos da Tradução passa por uma amplificação contínua, ao menos nas últimas décadas. Se os anos 1990 testemunharam a “virada cultural” anunciada por Mary Snell-Hornby, os/as teóricos/as mais recentes se voltaram ao papel que a tradução exerce na dominância e na resistência cultural, o que se apresenta como a “virada de poder”. Ao mesmo tempo, um movimento afim pode ser observado fora do campo dos Estudos da Tradução: alguns/mas pensadores/as, em suas buscas por novos paradigmas intelectuais para enfrentar os desafios de projetos emancipatórios, vêm se aproximando da tradução como uma forma de superar o particularismo e o nacionalismo, enquanto evitam os riscos de um universalismo monocultural que parece inevitavelmente levar ao imperialismo. A tradução, ao se preocupar com o Outro e criar diferentes mundos, oferece uma chance única de fazer o que parecia impossível e de encontrar “equivalência na diferença”. Neste artigo, discutimos as ideias sobre tradução de três pensadores e uma pensadora que se alinham a essa noção, com diferentes bagagens e tradições: Ngugi wa Thiong’o, Étienne Balibar, Judith Butler e Boaventura de Sousa Santos.

Biographies de l'auteur-e

  • Matheus Santos Silva, Universidade Federal da Bahia

    Licenciado em Letras Vernáculas pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), licenciando em Língua Estrangeira Moderna - Inglês pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), tradutor freelancer, professor e membro do grupo de pesquisa Textos Fundamentais em Tradução (Key Texts in Translation - KiT) da Universidade Federal da Bahia.

  • Amanda Hora da Silva, Universidade Federal da Bahia

    Graduada e licenciada em Letras - Língua Estrangeira (Inglês) pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), graduanda em Letras - Língua Estrangeira (Espanhol) pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), pesquisadora bolsista PIBIC/UFBA em tradução automática tradução de textos jornalísticos sobre questões identitárias segundo Google e membro dos grupo de pesquisa: TrAce (Tradução e Acessibilidade), PRO.SOM (Tradução, Processo de Criação e Mídias Sonoras, e Textos Fundamentais em Tradução (Key Texts in Translation - KiT) da Universidade Federal da Bahia.

  • Poliana Santana Pinheiro dos Santos, Universidade Federal da Bahia

    Professora da Universidade Federal do Recôncavo Baiano, graduada em Letras - Língua Estrangeira (Inglês) pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), atua como tradutora freelancer e compõe o corpo de pesquisadoras/es do grupo de pesquisa Textos Fundamentais em Tradução (Key Texts in Translation - KiT), também da Universidade Federal da Bahia. Atuou como  tradutora e professora em formação pelo NUPEL/UFBA e como professora em formação pelo PROFICI/UFBA. 

  • Lidiane de Oliveira Silva, Universidade Federal da Bahia

    Graduada em Língua Inglesa pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), tradutora freelancer e membro do grupo de pesquisa Textos Fundamentais em Tradução (Key Texts in Translation - KiT) da Universidade Federal da Bahia.

  • Ana Clara Cerqueira Santos de Souza, Universidade Federal da Bahia

    Graduanda em Letras - Bacharelado em Língua Inglesa pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), atuou como tradutora em formação pelo NUPEL (UFBA) e é membro do grupo de pesquisa Textos Fundamentais em Tradução (Key Texts in Translation - KiT) da Universidade Federal da Bahia.

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Publié

2025-06-20

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Comment citer

Tradução cultural, universalidade e emancipação. Belas Infiéis, Brasília, Brasil, v. 14, n. 2, p. 01–21, 2025. DOI: 10.26512/belasinfieis.v14.n2.2025.54206. Disponível em: https://periodicostestes.bce.unb.br/index.php/belasinfieis/article/view/54206. Acesso em: 20 janv. 2026.

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