O desmatamento na Amazônia e variáveis macroeconômicas: evidências de análises de séries de tempo entre 2000 e 2023
DOI:
https://doi.org/10.18472/SustDeb.v17n1.2026.60904Palavras-chave:
Agricultura, Desmatamento, Amazônia, Variáveis MacroeconômicasResumo
Partindo da premissa de que variáveis macroeconômicas – como preços, renda agrícola e a taxa de câmbio real – estão associadas à dinâmica do desmatamento, este estudo investiga tanto a relação de
longo prazo entre essas variáveis e o desmatamento quanto os efeitos de choques macroeconômicos sobre sua evolução temporal. A estratégia empírica baseia-se em uma abordagem de séries temporais, utilizando dados anuais de 2000 a 2023, e emprega testes de raiz unitária, o método de cointegração de Johansen e o Modelo de Correção de Erros Vetorial (VECM). Os resultados fornecem evidências de cointegração entre as variáveis, indicando a existência de uma relação de equilíbrio de longo prazo
entre as condições macroeconômicas e o desmatamento. Testes de causalidade de Granger destacam a relevância preditiva da taxa de câmbio real no sistema, particularmente em relação ao desmatamento e às variáveis agrícolas. A análise de decomposição da variância revela que choques na taxa de câmbio respondem por uma parcela substancial das flutuações no desmatamento, enquanto os preços agrícolas e o Produto Interno Bruto agrícola contribuem em menor medida. Além disso, as funções impulso-resposta indicam que choques positivos nos preços e na taxa de câmbio real geram efeitos cumulativos positivos sobre o desmatamento ao longo do tempo. Esses achados sugerem que a competitividade externa e a rentabilidade das atividades agrícolas constituem importantes motores econômicos da expansão do uso da terra na Amazônia. Ao mesmo tempo, os resultados ressaltam a importância do ambiente institucional, uma vez que políticas de conservação e mecanismos de monitoramento podem
mitigar as pressões ambientais associadas a condições macroeconômicas favoráveis. De modo geral,
este estudo contribui para a literatura ao enfatizar a interação entre a dinâmica macroeconômica e os resultados ambientais na região amazônica.
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