Juvenicídio e Acesso à Justiça no Nordeste: narrativas de famílias de vítimas do Estado

Autores

  • Jenair Alves da Silva Universidade Federal do Rio Grande do Norte
  • Ilana Lemos de Paiva

DOI:

https://doi.org/10.26512/revistainsurgncia.v12i1.50562

Palavras-chave:

Juvenicídio, Famílias, Nordeste, Acesso à Justiça

Resumo

O juvenicídio brasileiro opera de forma sistemática contra jovens de 15 a 29 anos e encontra na população negra, pobre e nordestina as suas maiores vítimas. São as famílias enlutadas, em sua maior parte constituídas por mulheres e pessoas negras, majoritariamente as mães, que passam a lidar com o Sistema de Justiça Criminal, desde a investigação sobre o ocorrido até o julgamento dos responsáveis. Este trabalho buscou analisar os atravessamentos de classe, raça e gênero destacadas nas narrativas e práticas produzidas no processo de busca por acesso à justiça, memória e verdade pelas famílias de jovens vítimas da violência do Estado na Bahia, Ceará e Rio Grande do Norte ao tempo que discutimos como o racismo, a exploração capitalista e as opressões de gênero, operam como sustentação, engrenagens e tecnologias das políticas de produção de morte que tem o juvenicídio como expressão.

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Publicado

31.03.2026

Como Citar

ALVES DA SILVA, Jenair; LEMOS DE PAIVA, Ilana. Juvenicídio e Acesso à Justiça no Nordeste: narrativas de famílias de vítimas do Estado. InSURgência: revista de direitos e movimentos sociais, Brasília, v. 12, n. 1, p. 373–408, 2026. DOI: 10.26512/revistainsurgncia.v12i1.50562. Disponível em: https://periodicostestes.bce.unb.br/index.php/insurgencia/article/view/50562. Acesso em: 22 maio. 2026.

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