A narrativa como subversão da história única em O som do rugido da onça, de Micheliny Verunschk
Palavras-chave:
Micheliny Verunschk; narrativas contemporâneas; violência colonialResumo
Este artigo apresenta uma leitura crítica do romance O som do rugido da onça, de Micheliny Verunschk (2022), identificando o registro da violência perpetrada pela colonização europeia contra o Outro subalternizado a partir da escrita de sua história. Com o entrelaçamento da ficção e de fragmentos do real representados por registros históricos, a narrativa de Verunschk escapa aos limites da autonomia para recontar a trajetória oficial que se estende da colonização do Brasil à contemporaneidade. Propõe que o recurso utilizado pela autora é o de suplantar dois níveis de narrativa. Um primeiro, referente às personagens protagonistas do relato, a menina indígena Iñe-e e Josefa, de ascendência indígena. E um segundo, da narração da história dessas personagens, que, tendo sido escrita pelos cientistas exploradores alemães Von Spix e Von Martius, a partir de um viés colonial, é subvertida pelo narrador, que empresta sua voz e sua língua a um outro colonizado, rompendo com a história única comumente perpetuada. A fundamentação teórica é dada por, entre outros, Ludmer (2013), Federici (2017, 2019) Adichie (2009), Lugones (2014), Mundukuru (2017), Pedrosa et al (2018).
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