Caminhografia como prática estrangeira
DOI:
https://doi.org/10.18830/issn2238-362X.v15.n2.2025.07Palabras clave:
Caminhografia Urbana, Prática Estrangeira, Lugar de Fala, Filosofia da DiferençaResumen
Este ensaio propõe a caminhografia urbana como prática estrangeira, abordando a tensão entre o pertencimento e o não pertencimento ao espaço urbano. Caminhar na cidade produz trajetórias entre o ordinário e o extraordinário, o que transforma o espaço em território de passagens e deslocamentos. A caminhografia é entendida como método e prática estética, política e sensível, que se realiza no trânsito e na alteridade. O texto dialoga com o conceito freudiano do estranhamente familiar (Unheimlich), a filosofia da diferença de Deleuze e Guattari e a prática estética do caminhar de Francesco Careri, considerando o caminhar como gesto de criação contínua, abertura e escuta. Também se afirma seu caráter ético e político, ao recuperar visibilidade para zonas marginalizadas e afirmar o direito de narrar e estar no espaço. O trabalho do artista Paulo Nazareth é exemplar dessa prática em devir, construindo cartografias sensíveis do encontro e da diferença e transformando o caminhar em exercício de coautoria, hospitalidade inquieta e resistência no espaço urbano. Assim, a caminhografia configura-se como dispositivo crítico de descolonização do sentido urbano, articulando ética, estética e política a partir da experiência sensível do corpo em movimento.
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