"Tragédia entre dois copos"
ordem e desordem em canção interpretada por Nelson Gonçalves
DOI :
https://doi.org/10.26512/cerrados.v34i68.57681Mots-clés :
Nelson Gonçalves, tango, canção popularRésumé
O presente artigo se volta para a canção “Hoje quem paga sou eu”, composta por Herivelto Martins e David Nasser, interpretada por Nelson Gonçalves em seu álbum O tango na voz de Nelson Gonçalves, de 1956. Através de um exame de sua letra em articulação com seus aspectos musicais, busca-se mostrar que, para além de uma narrativa sobre infelicidade conjugal, a canção formaliza uma oposição entre os polos da ordem e da desordem, nos termos de Candido (1970). Para isso, o artigo inicialmente situa Nelson Gonçalves nos debates simbólicos sobre a produção fonográfica brasileira dos anos 1950. Na sequência, revisita-se o ensaio de Antonio Candido (1970) sobre o romance Memórias de um sargento de milícias e se discute sobre como essas ideias reverberam em estudo sobre a malandragem no samba (Vasconcellos; Suzuki Jr., 2007). Por fim, o texto examina os elementos formais de “Hoje quem paga sou eu” buscando revelar como a canção formaliza uma desconfiança das camadas mais populares de nossa sociedade em relação ao processo de modernização.
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