A esquerda na ditadura militar brasileira

formação discursiva, memória e identidade

Authors

  • Israel de Sá Universidade Federal de São Carlos
  • Vanice Sargentini Universidade Federal de São Carlos

DOI:

https://doi.org/10.35956/v.14.n1.2014.p.59-76

Keywords:

political discourse. dictatorship. resistance. discursive formation. memory. identity.

Abstract

Durante o período de ditadura militar no Brasil (1964-1985), a resistência ao regime tomou várias e diferentes formas, passando das manifestações populares −sejam elas culturais (a música, o teatro, o cinema, a literatura etc.) sejam políticas (manifestações, passeatas, pichações, cantos etc.)− à luta armada. Pela resistência, a esquerda brasileira foi se constituindo ao mesmo tempo como nova e fraturada, distanciando-se da tradição brasileira da esquerda ancorada no PCB e aproximando-se da tradição de lutas exemplificadas pelas revoluções Russa, Cubana e Chinesa. Diante disso, propomos aqui uma análise, sustentada pelos trabalhos desenvolvidos pela Análise do discurso de linha francesa, a partir de trabalhos de Michel Pêcheux e seu grupo, de documentos de organizações de resistência armada ao regime com o objetivo de compreender a formação dessa “nova esquerda brasileira”, observando aspectos da produção de uma formação discursiva e, mesmo, de uma identidade de esquerda.

Author Biographies

  • Israel de Sá, Universidade Federal de São Carlos

    Doutorando em Linguística pelo Programa de Pós-Graduação em Linguística da Universidade Federal de São Carlos (PPGL/UFSCar), membro do Laboratório de Estudos do Discurso da UFSCar (LABOR/UFSCar) e bolsista da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP). Mestre em Linguística pela mesma instituição, realizou estágio de pesquisa entre os anos de 2012 e 2013 na Université Sorbonne Nouvelle ”“ Paris 3, com estudos em História das Ideias Linguísticas e Análise do Discurso. Possui trabalhos e artigos publicados com ênfase no discurso político, observando produções de identidades de resistência e de memórias da ditadura militar

  • Vanice Sargentini, Universidade Federal de São Carlos

    Professora Associada do Departamento de Letras e do Programa de Pós-Graduação em Linguística da Universidade Federal de São Carlos e Coordenadora do Laboratório de Estudos do Discurso da UFSCar (LABOR/UFSCar). Doutora em Linguística e Língua Portuguesa pela UNESP/Araraquara com Pós-doutorado (PDE/CNPq) na Sorbonne Nouvelle, Paris 3. Organizadora desde 2006 do Colóquio Internacional de Análise do Discurso (CIAD) no qual são discutidos temas que se articulam a seus interesses de pes-quisa: teoria, métodos e objetos da Análise do Discurso; Semiologia, Discurso e história; Contribuições de M. Foucault aos estudos do discurso. Possui pu-blicações na área dos estudos do discurso político, em especial sobre o papel da multimodalidade na produção dos discursos políticos na contemporaneidade.

References

Bobbio, N. (1995). Direita e esquerda: razões e significados de uma distinção política. São Paulo: Editora UNESP.

Brait, B. (1997). Bakhtin e a natureza constitutivamente dialógica da linguagem, em B. Brait . (org.). Bakhtin, dialogismo e construção do sentido, pp. 91-104. Campinas, SP: Unicamp.

Courtine, J.-J. (2009). Análise do discurso político: o discurso comunista endereçado aos cristãos. São Carlos, SP: EdUFSCar.

Deleuze, G. (2005). Foucault. São Paulo: Brasiliense.

Foucault, M. (2007). A arqueologia do saber. Rio de Janeiro: Forense Universitária.

Giddens, A. (1996). Para além da esquerda e direita: o futuro da política radical. São Paulo: Editora UNESP.

Gregolin, M. R. (2007). Formação discursiva, redes de memória e trajetos sociais de sentido: mídia e produção de identidades, em R. L. Baronas (org.). Análise do discurso: apontamentos para uma história da noção-conceito de formação discursiva, pp. 155-168. São Carlos, SP: Pedro & João Editores.

Haroche, C.; Pêcheux, M. & Henry, P. (2007). A semântica e o corte saussuriano: língua, linguagem, discurso, em R. L. Baronas (org.) Análise do discurso: apontamentos para uma história da noção-conceito de formação discursiva, pp. 13-31. São Carlos, SP: Pedro & João Editores.

Houaiss, A. & Villar, M. S (2001). Dicionário Houaiss da língua portuguesa. Rio de Janeiro: Objetiva.

Pêcheux, M. (2008). O discurso: estrutura ou acontecimento. Campinas, SP: Pontes.

Pêcheux, M. (2009). Semântica e discurso: uma crítica à afirmação do óbvio. Campinas, SP: Editora da UNICAMP.

Piovezani Filho, C. F. (2003). Que fim levou a esquerda?: efeitos discursivo-ideológicos no/do discurso político. Dissertação de Mestrado em Letras. Araraquara, SP.

Reis Filho, D. A. & Sá, J. F. (1975). Imagens da revolução. Documentos políticos das organizações clandestinas de esquerda dos anos 1961-1971. Rio de Janeiro: Marco Zero.

Robin, R. (1977). História e lingüística. São Paulo: Cultrix.

Sargentini, V. (2010). As relações entre a Análise do Discurso e a História, em N. Milanez e N. R. Gaspar (org.) A (des)ordem do discurso, pp. 95-102. São Paulo: Contexto.

Vários Autores (1996). Documentos do PCDOB. Guerrilha do Araguaia. São Paulo: Editora Anita Garibaldi.

Published

2020-10-19

Issue

Section

Research articles

How to Cite

A esquerda na ditadura militar brasileira: formação discursiva, memória e identidade. (2020). Revista Latinoamericana De Estudios Del Discurso, 14(1), 59-76. https://doi.org/10.35956/v.14.n1.2014.p.59-76

Similar Articles

1-10 of 342

You may also start an advanced similarity search for this article.