Entre a autonomia e a automação: reflexões sobre IAG e educação

Autores

DOI:

https://doi.org/10.26512/lc32202659189

Palavras-chave:

Inteligência artificial generativa, Cognição, Educação, Ética tecnológica

Resumo

Este ensaio aborda a dualidade da Inteligência Artificial Generativa (IAG), uma encruzilhada para o desenvolvimento cognitivo humano. Explora-se a tensão entre a promessa de eficiência e o receio de uma atrofia cognitiva, em paralelo à crítica de Sócrates à escrita. Analisa-se o impacto da IAG na educação, contrastando seu potencial de mediação vygotskiana com o risco de inibir o pensamento crítico. A discussão é aprofundada ao situar a tecnologia nos contextos de Han (Sociedade do Cansaço) e Zuboff (Capitalismo de Vigilância), que favorecem a automação sobre a autonomia. Conclui-se com a proposição de uma resposta em duas frentes: uma “dieta cognitiva” pessoal e uma regulação sistêmica que priorize o bem-estar humano. A IAG emerge como tecnologia ambivalente, cujo impacto dependerá de escolhas éticas, políticas e individuais.

Biografia do Autor

  • André Luís Specht, Universidade Estadual do Centro-Oeste, Irati, PR, Brasil

    Doutor em Estudos da Linguagem pela Universidade Federal de Santa Catarina (2017). Professor do Departamento de Letras da Universidade Estadual do Centro-Oeste, Câmpus de Irati. E-mail: alspecht@unicentro.br

  • Davi Silva Gonçalves, Universidade Estadual do Centro-Oeste, Irati, PR, Brasil

    Doutor em Tradução pela Universidade Federal de Santa Catarina (2017). Professor do Departamento de Letras da Universidade Estadual do Centro-Oeste, Câmpus de Irati. E-mail: davisg@unicentro.br

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Publicado

03.02.2026

Edição

Seção

Ensaios teóricos