A democracia apolítica na contemporaneidade segundo Jacques Rancière

Autores

DOI:

https://doi.org/10.26512/rfmc.v13i1.57648

Palavras-chave:

Democracia. Dissenso. Política. Desigualdade. Desentendimento.

Resumo

Rancière demonstra que, desde o princípio, política e democracia estão intrinsecamente relacionadas ao conceito de dissenso, dessa forma, é necessário repensar a maneira pela qual esse dissenso é aplicado no meio da comunidade. As democracias contemporâneas se levantam sobre uma bandeira do consenso e da abolição do dissenso, com um discurso em defesa das partes que constituem a sociedade, porém, ao mesmo tempo, eliminando a possibilidade de que aqueles que não têm uma parte possam se manifestar e reivindicar sua participação no meio público. Rancière observa que as democracias atuais são contraditórias e falsas, pois buscam anular a possibilidade de existência da prática participativa, enquanto acreditam que devem abolir o dissenso e o litígio do meio social. Essas falsas democracias são fundamentadas sobre uma estrutura oligárquica na qual poucos têm o real poder político.

Biografia do Autor

  • Luis Felipe Garcia Lucas, Universidade Estadual de Londrina

    Graduado em Licenciatura em Filosofia pelo Centro Universitário Internacional. Especializado na Metodologia do Ensino de História. Mestre em Filosofia pela PUC-PR, com foco na área de Filosofia política e ética, baseando-se no pensamento de Jacques Rancière. Doutorando na Universidade Estadual de Londrina - UEL, na linha de pesquisa de Conhecimento e Subjetividade.

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Publicado

26-09-2025

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