Representações interculturais de gênero no romance A república dos sonhos, de Nélida Piñon
DOI:
https://doi.org/10.1590/S2316-40182012000200011Abstract
O romance A república dos sonhos (1984), da escritora brasileira Nélida Piñon, empreende representações de gênero ambientadas, por um lado, em uma Galícia de inspiração medieval e de tradição oral, terra de peregrinações e de emigrantes. Por outro lado, as representações de gênero ambientadas no Brasil do século XX constituem um interessante painel da trajetória da emancipação da mulher, galgada a partir dos movimentos feministas. O romance, nesse sentido, integra o processo de implantação de vozes dissonantes em relação a ideologias dominantes como o patriarcalismo e o falogocentrismo, comumente representadas e reduplicadas na literatura canônica. Trata-se de inscrever, no lugar da tradicional identidade feminina, fixa e presa aos papéis de gênero, estabelecidos pelo pensamento patriarcal, a multiplicidade e a heterogeneidade, portanto, o descentramento de identidades, por meio da intersecção com múltiplas outras questões como raça, etnia, classe e orientação sexual. Fundamentando nossa investigação no feminismo crítico e, de modo geral, no pós-estruturalismo, nosso propósito é empreender uma discussão acerca do modo como a escritora, em diálogo com a tradição espanhola, representa identidades femininas, bem como, as relações de gênero nesse importante romance do século XX.References
BOURDIEU, Pierre (1998). A economia das trocas linguísticas: o que falar quer dizer. Trad. Sérgio Miceli et al. 2. ed. São Paulo: Edusp.
________ (2005). A dominação masculina. Trad. Maria Helena Küher. 4. ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil.
BUTLER, Judith (1988). “Posições do sujeito, atuações de gênero”. In: BESSA, K. A. Estudos feministas. Rio de Janeiro: IFCS/UFRJ, v. 6, n. 2.
________ (2001). “Corpos que pesam: sobre os limites discursivos do ‘sexo’”. In: LOURO, Guacira Lopes (Org.). O corpo educado: pedagogias da sexualidade. Belo Horizonte: Autêntica.
________ (2003). Problemas de gênero: feminismo e subversão da identidade. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira.
CHARTIER, Roger (1990). A história cultural. Rio de Janeiro: Bertrand.
DUARTE, Constância Lima (2004). “Literatura e feminismo no Brasil: primeiros apontamentos”. In: MOREIRA, Nadilza Martins de Barros (Org.). Mulheres no mundo: etnia, marginalidade e diáspora. João Pessoa: Idéia.
GINZBURG, Carlo (2001). Olhos de madeira: nove refl exões sobre a distância. São Paulo: Companhia das Letras.
HALL, Stuart (2006). A identidade cultural na pós-modernidade. Trad. Thomas Tadeu da Silva e Guacira Lopes Louro. 11. ed. Rio de Janeiro: DP&A.
LAURETTIS, Teresa de (1994). “A tecnologia do gênero”. In: HOLLANDA, Heloisa Buarque de (Org.). Tendências e impasses. Rio de Janeiro: Rocco.
MILLETT, Kate (1970). Sexual politics. Garden City: Doubleday.
PIÑON, Nélida (1984). A república dos sonhos. Rio de Janeiro: Francisco Alves.
PROENÇA FILHO, Domício (1998). “A inquieta ficção de uma mulher cidadã e escritora”. Folha de S. Paulo, São Paulo, Ilustrada, p. 4, 26 de setembro.
SCHMIDT, Rita T. (1999). “A transgressão da margem e o destino de Celeste”. In: SEMINÁRIO NACIONAL MULHER E LITERATURA, 7., Anais... Niterói: EdUFF, p. 672-82.
ZOLIN, Lúcia Osana (2003). Desconstruindo a opressão: a imagem feminina em A república dos sonhos, de Nélida Piñon. Maringá: Eduem.
Downloads
Published
Issue
Section
License
Authors who publish in this journal agree to the following terms:
a) The authors maintain the copyright and grant the journal the right of first publication, the work being simultaneously licensed under the Creative Commons Attribution License-Non Commercial 4.0 which allows the sharing of the work with acknowledgment of the authorship of the work and publication this journal.
b) Authors are authorized to enter into additional contracts separately, for non-exclusive distribution of the version of the work published in this journal (eg publish in institutional repository or as a book chapter), with authorship recognition and publication in this journal.
c) Authors are allowed and encouraged to publish and distribute their work online (eg in institutional repositories or on their personal page) after the editorial process, as this can generate productive changes, as well as increase the impact and citation of published work (See The Effect of Free Access).
d) The authors of the approved works authorize the magazine to, after publication, transfer its content for reproduction in content crawlers, virtual libraries and the like.
e) The authors assume that the texts submitted to the publication are of their original creation, being fully responsible for their content in the event of possible opposition by third parties.