A única identidade que percorre minha vida é a de performer – trajeto com lentes de gênero, autismo e arte da performance percorrido aos quarenta anos da artista autista e “mulher”

Auteurs-es

  • Thaise Luciane Nandim

DOI :

https://doi.org/10.26512/dramaturgias30.60974

Mots-clés :

Arte da performance, Cartografia, Estudos de gênero

Résumé

Neste escrito, condenso uma pesquisa em arte de orientação cartográfica, realizada aos meus quarenta anos, em que revisito minha trajetória artística, acadêmica e existencial, a partir de minhas condições de pessoa do gênero feminino, artista e diagnosticada tardiamente com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Abordo hipóteses sobre como a neurodivergência interagiu com a história da construção social de meu gênero e discorro sobre como, de forma não intencional, lancei mão da arte da performance para pôr-me em relação com o tema. Mesclando narrativas pessoais do cotidiano e relatos do processo criativo de obras da série mel-o-drama, examino manifestações da minha dificuldade de ler e reproduzir os signos da feminilidade normativa, condição que, argumento, deriva tanto de características do autismo quanto da rigidez patriarcal que molda a performatividade de gênero. Para tensionar as experiências narradas, proponho uma revisão narrativo-cartográfica de literatura científica sobre correlações entre autismo e dissidência de gênero, destacando a sobre-representação de identidades gênero-diversas entre pessoas autistas e entrelaçando afetos que as pesquisas evocam às estórias narradas. Para finalizar, apresento uma peça de ficção especulativa em que dialogo com elementos do feminismo materialista radical tran- sinclusivo, do xenofeminismo e da proposição neuroqueer, defendendo a abolição do sistema sexo-gênero, dos binarismos masculino/feminino, neurotípico/neuroatípico e da pseudo oposição entre razão e sensação, pelo uso combinado de arte e ciência — contexto em que, conforme defendo, multiplicidade de performances de gênero, arte da performance, pesquisa e escrita podem atuar como ferramentas de emancipação ontológica, epistêmica e política.

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Publié

2025-12-30

Comment citer

A única identidade que percorre minha vida é a de performer – trajeto com lentes de gênero, autismo e arte da performance percorrido aos quarenta anos da artista autista e “mulher”. (2025). Dramaturgias, 30, 139-176. https://doi.org/10.26512/dramaturgias30.60974