As duas sacolas da Humanidade: Entre a tradição esópica e Fedro
DOI:
https://doi.org/10.14195/1984-249X_35_16Palavras-chave:
Fábula, Esopo, Fedro, Prometeu, CinismoResumo
O gênero da fábula na cultura greco-romana tem raízes populares e orais, estabelecendo instigantes diálogos com tradições poéticas e filosóficas ao longo de sua história. Nosso artigo aborda duas fábulas que partilham certos elementos de uma história da criação humana: a primeira delas, escrita em grego e atribuída a Esopo, tem por título “Duas sacolas” [Πῆραι δύο]; a outra, composta em latim por Fedro, é intitulada “Sobre os vícios dos humanos” [De Vitiis Hominum]. Avançamos em bases filológicas para contextualizar historicamente cada um desses textos, a fim de sugerir os jogos de sentido estabelecidos por eles, especialmente com a tradição cínica (no primeiro caso) e com o contexto político romano (no segundo). Para isso, empreendemos uma leitura atenta a questões intertextuais e de recepção.
Referências
ADRADOS, F. (1979). Historia de la fabula Greco-Latina Tomo I. Madrid: Ed. de la Univ. Complutense.
ADRADOS, F. (1999). History of Graeco-Latin Fables Vol I. Transl. L. A. Ray. Leiden; Boston; Koln: Brill.
ADRADOS, F.(2003). History of Graeco-Latin Fables . Vol III. Transl. L. A. Ray and F. Rojas del Canto. Leiden; Boston; Koln: Brill.
ALSTER, B. (1978). Sumerian proverb collection seven. Revue d’Assyriologie et d'archéologie orientale 72, no. 2, p. 97-112.
BRANHAM, R. B. (1996). Defacing the Currency: Diogenes’ Rhetoric and the Invention of Cynicism. In: BRANHAM, R. B.; GOULET-CAZÉ, M.-O. (ed.). The Cynics: The Cynic Movement in Antiquity and Its Legacy. Berkeley; Los Angeles; London: University of California Press, p. 81-104.
BRENOT, A. (1924). Phèdre. Fables Paris: Les Belles Lettres.
CHAMBRY, É. (1985). Notice sur Ésope et les Fables Ésopiques. In: CHAMBRY, É. (ed.). Ésope. Fables Paris: Les Belles Lettres, p. ix-liv.
CHAMBRY, É. (ed.). (1985b) Ésope. Fables Paris: Les Belles Lettres.
COHOON, J. W. (1932). Dio Chrysostom. Discourses Vol. I. London: William Heinemann Ltd. ; New York: G. P. Putnam’s Sons.
DINDORF, W. (1832). Themistius. Orationes Lipsiae: C. Cnobloch.
DUARTE, A. S. (2017). Romance de Esopo In: MALTA, A.; DUARTE, A. S. (eds.). Esopo. Fábulas seguidas do Romance de Esopo São Paulo: Editora 34.
FLORES JÚNIOR, O. (2008). O cinismo antigo: problemas de transmissão e perspectivas de interpretação. In: DUARTE, A. S. et al (org.). Simpósio de Estudos Clássicos da USP III São Paulo: Humanitas, p. 29-58.
FLORES JÚNIOR, O. (2020). Lire et écrire dans les marges. Activité littéraire et mendicité chez les cyniques grecs. In: HELMER, É. (ed.). Mendiants et mendicité en Grèce ancienne Paris: Garnier, p. 235-273.
FLORES JÚNIOR, O. (2021). La vie facile: Une lecture du cynisme ancien. Paris: Vrin.
GIL, G. C. de A. (2019) Reformulações da auctoritas de Esopo no projeto poético de Fedro Dissertação. Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte.
GORDON, E. (1958). Sumerian Animal Proverbs and Fables: Collection Five. Journal of Cuneiform Studies 12, n. 2, p. 43-75.
GOULET-CAZÉ, M.-O. (1995). Les premiers cyniques et la religion. In: GOULET-CAZÉ, M.-O.; GOULET, R. (eds.). Le cynisme ancient et ses prolongements Paris: Presses Universitaires de France, p. 117-158.
HARMON, A. M. (1960). Lucian. Lucian in Eight Volumes: II. London; Cambridge: William Heineman; Harvard University Press.
HICKS, R. D. (1972). Diogenes Laertius. Lives of Eminent Philosophers Cambridge: Harvard University Press.
KASSEL, R.; AUSTIN, C. (eds.) (1989). Poetae Comici Graeci (PCG) Vol. VII. Berlin; New York: Walter de Gruyter.
MALHERBE, A. J. (ed.) (1977). The Cynic Epistles: A Study Edition. Missoula: Scholars Press.
MARTIN, T. (1997). The Chronos Myth in Cynic Philosophy. Greek, Roman and Byzantine Studies 38, n. 1, p. 85-108.
NESTLE, W. (1937). Ein Pessimistischer Zug im Prometheusmythus. Archiv für Religionswissenschaft 34, p. 378-81.
ONELLEY, G. B.; PEÇANHA, S. F. G. de A. (2010). O relato fabulístico na Grécia antiga e em Roma. Politeía: História e Sociedade 10, n. 1, p. 175-185.
PATILLON, M. (1997). Aelius Théon. Progymnasmata Paris: Les Belles Lettres.
PENELLA, R. J. (2000). Themistius. The private orations of Themistius Berkeley; London: University of California Press.
PERRY, B. E. (1962). Demetrius of Phalerum and the Aesopic Fables. TAPA 93, p. 287-346.
PERRY, B. E. (ed.) (1965). Babrius and Phaedrus. Fables London: Harvard University Press.
RUTHERFORD, W. G. (ed.) (1896). Scholia Aristophanica. 3 Vol. I. London; New York: Macmillan and Co.
SILVA, R. G. T. da (2022). O Evangelho de Homero: Por uma outra história dos Estudos Clássicos. Tese. Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte.
VAN DIJK, J. G. (1997). ΑΙΝΟΙ, ΛΟΓΟΙ, ΜΥΘΟΙ: Fables in Archaic, Classical, and Hellenistic Greek Literature. With a Study of the Theory and Terminology of the Genre. Leiden; New York; Köln: Brill.
Downloads
Publicado
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2025 Sara Anjos, Rafael Guimarães Tavares da Silva

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
Dado o acesso público desta revista, os textos são de uso gratuito, com obrigatoriedade de reconhecimento da autoria original e da publicação inicial nesta revista. O conteúdo das publicações é de total e exclusiva responsabilidade dos autores.
1. Os autores autorizam a publicação do artigo na revista.
2. Os autores garantem que a contribuição é original, responsabilizando-se inteiramente por seu conteúdo em caso de eventual impugnação por parte de terceiros.
3. Os autores garantem que a contribuição que não está em processo de avaliação em outras revistas.
4. Os autores mantêm os direitos autorais e concedem à revista o direito de primeira publicação, sendo o trabalho licenciado sob a Creative Commons Attribution License-BY.
5. Os autores têm permissão e são estimulados a publicar e distribuir seu trabalho on-line após a publicação na revista.
6. Os autores dos trabalhos aprovados autorizam a revista a, após a publicação, ceder seu conteúdo para reprodução em indexadores de conteúdo, bibliotecas virtuais e similares.
7. É reservado aos editores o direito de proceder ajustes textuais e de adequação do artigo às normas da publicação.
