Parto de ideias: a epistemologia platônica como metáfora sexual
DOI:
https://doi.org/10.14195/1984-249X_35_12Palavras-chave:
Maiêutica, Sócrates, Parto, Ideia, ConceitoResumo
O artigo investiga o significado da metáfora sexual presente nas caracterizações da arte maiêutica do Teeteto e dos amantes fecundos na psique do Banquete. Embora o “método socrático”, no Teeteto, seja ilustrado como uma prática análoga a um parto e a atividade de Sócrates seja comparada à de uma parteira, o texto também menciona outros estágios sucessivos da reprodução sexual humana, assim como outras funções associadas aos fenômenos eróticos são atribuídas a Sócrates. No Banquete, por seu turno, a personagem de Diotima descreve a prática educacional de dois tipos especiais de amante por meio de uma analogia que também evoca a imagética da reprodução sexual. As duas analogias são expostas detalhadamente e, então, o artigo problematiza o sentido de termos associados ao verbo κυεῖν em passagens dos dois diálogos, mostrando que o sentido varia entre “estar prenhe” e “ser fecundo”. Por fim, propõe-se pensar o objeto de gestação e aborto no nível intelectual a partir da noção de γένος, enquanto no nível ético o amante e aqueles que ele educa concebem e geram as excelências como produto de um processo análogo à fecundidade natural de um casal humano.
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