Mulheres que se conjugam com o rio Jaguaribe: comer para cuidar de corpos, relações e da luta das pescadoras, Ceará

Autores

DOI:

https://doi.org/10.4000/14g1e

Palavras-chave:

comensalidade, mulheres, política, território, rio Jaguaribe

Resumo

Neste artigo pretendo olhar para as ações políticas das pescadoras do rio Jaguaribe em que o comer com tem relevo na construção de corpos e relações, íntimas ou públicas, no âmbito de espaços relacionados ao doméstico. Ainda, busco compreender como essa ação de cuidado adentra os espaços da militância onde elas constroem suas formas de defesa do território corpo-terra e águas. Destaco, assim, a ação das mulheres como política, explicitando a centralidade do seu agenciamento na criação da vida que se faz também com não-humanos. Talvez, assim, possamos articular um debate sobre governo da terra empreendido pelas pescadoras contemplando as águas e o corpo, ambos como parte fundamental da questão fundiária.

 

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Biografia do Autor

  • Ana Luisa Nobre, Pesquisadora independente, Fortaleza, Ceará

    Cientista social formada pela Universidade Federal do Ceará (2013), mestre em Antropologia pela Universidade Federal de Sergipe (2017) sou educadora popular e feminista, atuando desde 2009 junto a populações costeiras em busca de justiça ambiental e fundiária. Tenho colaborado com processos organizativos de pescadores e quilombolas, em especial na assessoria às mulheres pescadoras na luta por equidade de gênero, contra o racismo ambiental, pela defesa do território e por vida boa e digna.

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Publicado

2025-04-25

Como Citar

“Mulheres Que Se Conjugam Com O Rio Jaguaribe: Comer Para Cuidar De Corpos, relações E Da Luta Das Pescadoras, Ceará”. 2025. Anuário Antropológico 50 (1): e-14g1e. https://doi.org/10.4000/14g1e.