Da nacionalização à reforma agrária das roças de São Tomé e Príncipe

Autores

DOI:

https://doi.org/10.4000/148u0

Palavras-chave:

roças, nacionalização das roças, reforma agraria, São Tome e Principe

Resumo

Com base em trabalho de campo etnográfico realizado em roças de São Tomé e Príncipe (África),este artigo aborda o processo de nacionalização dessas áreas e seus efeitos na sua composição territorial atual e nos moradores das roças. O trabalho se debruça sobre dois processos históricos que ocorreram nas ilhas de São Tomé e Príncipe: a nacionalização das roças, em 1975, e a reforma agrária de 1991, ambos sob a mediação do Estado são-tomense. Com o fim da colonização portuguesa e a independência do país, as roças passaram a pertencer ao Estado são-tomense, que posteriormente distribuiu as terras a título de uso para plantio— mas não para posse — aos antigos trabalhadores para contratados ou serviçais. Importa destacar que a categoria roça,nesse arquipélago, assumiu historicamente uma conotação similar à de um grande latifúndio, um engenho, uma empresa agrícola, uma fazenda ou uma economia de plantation. Atualmente, porém,aproxima-se da ideia de comunidades e territórios situados no interior e nas regiões costeiras das duas ilhas.

 

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Biografia do Autor

  • Lauro José Cardoso, Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Estado - SP, Brasil

    Mestre emAntropologia pela UFBA (Universidade Federal da Bahia), na área de concentração em Globalização, Poder e Ética. Doutorando em Antropologia Social pela Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), com os estudos concentrados em Transformações e Conflitos contemporâneos. Atualmente é membro do Centro de Estudos Rurais (Ceres) da Unicamp/IFCH e bolsista FAPESP.

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Publicado

2025-07-01

Como Citar

“Da nacionalização à Reforma agrária Das roças De São Tomé E Príncipe”. 2025. Anuário Antropológico 50 (1): e-148u0. https://doi.org/10.4000/148u0.