A terra não pertencia: a relação de movimento com a terra no contexto de luta do povo de Trombas e Formoso (GO)
DOI:
https://doi.org/10.4000/140cwPalavras-chave:
luta pela terra, posse, movimento, Trombas e FormosoResumo
Nesta etnografia, verso sobre a relação e os sentidos da terra evocados pelo povo de Trombas e Formoso, na região norte do estado de Goiás, durante o processo de luta pela terra que lá se desenrolou na década de 1950. Na terra, essas pessoas chegavam, trabalhavam, faziam suas roças, mas, quando é fé, saíam e a largavam. Andavam a caçar melhora em outro destino, cujo caminho, apesar de distinto, era sempre em direção à terra. Para o povo de Trombas e Formoso, a terra não pertencia e, até a chegada daqueles que se diziam donos, não se fazia posse. As noções de posse e propriedade emergiram junto ao processo de luta pela terra, quando, à revelia de seus supostos donos, posseiros decidiram ficar e possear. Se antes eles estavam sempre a mudar e sair e largar a terra, com a luta, passariam a ficar e posseá-la. Por isso, neste trabalho busco demonstrar a agência da terra sobre a vida de movimento dessa gente andante, para quem a terra era o único modo de escapar do cativeiro imposto pelo mando dos donos.
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