Maternidade em Comunidades Terapêuticas Religiosas: análise do acolhimento de mulheres usuárias de substâncias e seus filhos
DOI:
https://doi.org/10.1590/s0102-6992-20254003e58868Palabras clave:
Maternidade, Gênero, Uso de Substâncias, Comunidades Terapêuticas, MoralidadesResumen
O presente texto analisa como a maternidade é mobilizada por comunidades terapêuticas (CT’s) no atendimento de mulheres que fazem uso problemático de substâncias e que desejem e/ou precisem passar pelo período de acolhimento na companhia de seus filhos. Sendo assim, o objetivo principal desse estudo é melhor compreender como a maternidade é acionada ao longo do período em que essas mulheres permanecem com sua prole nessas instituições. Os dados analisados derivam de entrevistas semiestruturadas e observação de campo conduzidas entre o segundo semestre de 2020 e o primeiro semestre de 2021 e entre o segundo semestre de 2022 e o primeiro semestre de 2023 em uma CT de orientação católica e outra evangélica. O artigo conclui que, nas CTs observadas, a maternidade incorpora moralidades conservadoras (religiosas e não-religiosas) compreendidas como recursos capazes de interromper o uso problemático de substâncias.
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