Sociologia e ciências sociais em tempos de austeridade

Autores

DOI:

https://doi.org/10.1590/s0102-699220183302012

Palavras-chave:

Sociologia econômica, Políticas de austeridade fiscal, Sociedades capitalistas, Eurocracias, Multidimensionalidade do bem-estar

Resumo

Este artigo tem por objetivo demonstrar a importância da sociologia para a análise das políticas de austeridade em tempos de crises políticas e sociais. Tomando como base a Europa nos anos 2000, mostra-se que as políticas de austeridade fiscal são um objeto científico complexo que deve ser analisado do ponto de vista sociológico e não somente econômico. Lebaron analisa a austeridade como uma crença econômica e como um discurso performativo, mostrando que as representações econômicas - das mais teóricas às mais práticas - desempenham um papel crucial na construção e reprodução da ordem social. São essas representações econômicas que estruturaram as instituições e crenças coletivas nos países europeus principalmente a partir dos anos de 1970 e 1980, período de expansão do neoliberalismo e da financerização. O autor apresenta em seguida os mecanismos e atores da austeridade: os Estados europeus (eurocracias); as instituições e os agentes individuais nesse campo. Em um terceiro ponto, Lebaron critica a noção de “austeridade expansionista” e mostra como o capitalismo financeiro tem tomado cada vez mais o controle de nossas sociedades. Por fim, Lebaron analisa os efeitos sociais da austeridade fiscal com base na ideia de “dinâmica complexa do bem-estar”. O autor defende a importância de que sejam criados modelos alternativos que considerem a multidimensionalidade do bem-estar em nossas sociedades.

Tradução: Leo Lopes

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Biografia do Autor

Frédéric Lebaron, École Normale Supérieure de Paris-Saclay (ENS Cachan)

Professor da École Normale Supérieure de Paris-Saclay (ENS Cachan), Cachan, Val-de-Marne, França, onde dirige o Departamento de Ciências Sociais.

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Publicado

30-10-2018

Como Citar

Lebaron, F. (2018). Sociologia e ciências sociais em tempos de austeridade. Sociedade E Estado, 33(02), 529–537. https://doi.org/10.1590/s0102-699220183302012

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