O outro e não eu
mulher Negra, memória e a alteridade do ser
Palavras-chave:
Memória; alteridade; mulher Negra, trabalho doméstico.Resumo
Lélia Gonzalez retoma ideias basilares da produção antropológica brasileira, para tecer uma profunda análise da experiência da mulher Negra no Brasil. Com seu refinado conceito de memória, Gonzalez destrincha como o racismo e o sexismo, moldaram a identidade, a memória coletiva e o trabalho das mulheres Negras. Neste artigo, pretendo explorar o conceito de memória elaborado pela autora, para analisar a situação da mulher Negra no Brasil. Através dessa lente analítica, buscarei compreender como nós, mulheres Negras, ao longo da história, fomos sistematicamente subjugadas por meio da formação do pensamento social brasileiro. Discutirei como a construção de uma memória nacional excludente e eurocêntrica silenciou e marginalizou nossos corpos, nos relegando às posições subalternas na sociedade. Pretendo também abordar as diversas formas de violência que marcam a nossa experiência de existir, desde as socioeconômicas, as simbólicas, e principalmente a racial.
Referências
BARRETO, Raquel. Introdução. In: NASCIMENTO, Maria Beatriz. Beatriz Nascimento, Quilombola e intelectual:
possibilidade nos dias de destruição. 1a ed. Diáspora Africana: Editora Filhos da África, 2018. p. 26–39.
CARNEIRO, Aparecida Sueli. A construção do outro como não ser como fundamento do ser. 339 f. 2005. Tese
(Doutorado em Educação) – Universidade de São Paulo, São Paulo, 2005.
DAMASCENO, Janaína. O corpo do outro. Construções raciais e imagens de controle do corpo feminino negro:
o caso da Vênus Hotentote. Seminário Internacional Fazendo Gênero 8, Florianópolis, UFSC, de 25 a 28 de
agosto de 2008.
DEIAB, Rafaela de Andrade. A mãe preta na literatura brasileira: a ambiguidade como construção social (1880-
. 290 f. 2006. Dissertação (mestrado) – Universidade de São Paulo, São Paulo, 2006.
DIAS, Luciana de Oliveira; SOUZA, Cristiane Santos; HENNING, Carlos Eduardo. Orí e Cabaça são femininas:
mulheres-raízes e suas insurgências na intelectualidade brasileira. Humanidades & Inovação, Palmas, v.
, n. 25, p. 88-105, 2020. Disponível em: https://revista.unitins.br/index.php/humanidadeseinovacao/ article/
view/4903. Acesso em: 19 out. 2022.
GONZALEZ, Lélia. A mulher negra na sociedade brasileira: uma abordagem político-econômica. In: GONZALEZ,
Lélia. Primavera para as rosas negras: Lélia Gonzalez em primeira pessoa. São Paulo: Diáspora Africana,
, p. 34–53.
GONZALEZ, Lélia. Racismo e Sexismo na Cultura Brasileira. Revista Ciências Sociais Hoje, Anpocs, p. 223–
, 1984.
HARTMAN, Saidiya. Vênus em dois atos. Revista ECO-Pós, Rio de Janeiro, v. 23, n. 3, p. 12-33, 2020. Disponível
em: https://doi.org/10.29146/eco-pos.v23i3.27640. Acesso em: 11 jun. 2025.
HOOKS, bell. Erguer a voz: pensar como feminista, pensar como negra. Tradução de Cátia Bocaiúva Maringolo.
São Paulo: Elefante, 2019.
RATTS, Alex. Eu sou Atlântica: sobre a trajetória de Beatriz Nascimento. São Paulo: Imprensa Oficial do
Estado de São Paulo, 2006.
RODRIGUES, Vera. Vidas negras importam: o que dizemos nós mulheres negras ativistas, intelectuais e artistas.
Tessituras, Pelotas, RS, v. 9, n. 1, p. 33-45, jan./jun. 2021.
Publicado
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2025 Larissa Neves da Costa

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution-NonCommercial 4.0 International License.











