¿“Comida de Hambruna” o Manjar?

El consumo de tanajuras en el nordeste de Brasil

Autores/as

DOI:

https://doi.org/10.21057/10.21057/repamv17n1.2023.56172

Palabras clave:

entomofagia, hormigas Atta, hambruna, Nordeste de Brasil

Resumen

En el nordeste de Brasil, la tradición de comer tanajuras, reinas de las hormigas Atta, perdura desde el siglo XVI. Esta región, que ha sufrido numerosas sequías a lo largo de los años, obligando a parte de su población a emigrar, sigue considerándose la más pobre de Brasil, a pesar de cambios recientes como el desarrollo del turismo y de la energía eólica. A partir de trabajos de campo realizados en Rio Grande do Norte, sobre todo en Natal, y en el interior de Pernambuco, en Buíque, analizaremos cómo, en el contexto general de los prejuicios sobre el Nordeste, estas hormigas son vistas como «comida de pobres» o «comida de indios». Muchas personas, especialmente en las ciudades, creen que se comen por necesidad. La mayoría de los entrevistados negaron comerlas, y algunos dijeron que sólo las habían comido de niños. Sin embargo, cuando las tanajuras salen del hormiguero para su vuelo nupcial, al inicio de las lluvias, hay gente para cogerlas. En Buíque, donde abundan los hormigueros, hay colectores y consumidores apasionados por las hormigas, que venden parte de su cosecha a pernambucanos del interior que han emigrado a Recife o a nordestinos que se han trasladado al sureste del país. Las tanajuras no son un alimento de hambruna, sino un manjar.

 

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Publicado

2026-02-27

Número

Sección

Dossier: Alimentación y Hambre - reflexiones sobre las transformaciones y la diversidad en los sistemas alimentarios contemporáneos

Cómo citar

¿“Comida de Hambruna” o Manjar? : El consumo de tanajuras en el nordeste de Brasil. (2026). Revista De Estudios Y Investigaciones Sobre Las Américas, 17(1), 186-232. https://doi.org/10.21057/10.21057/repamv17n1.2023.56172