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Brasília, v. 20, n. 4, p. 547-571, 2025

https://doi.org/10.33240/rba.v20i4.57557

Como citar: DEVIDE, Antonio Carlos P. et al. Origem, cultivo e conservação da cultura alimentar e medicinal dos carás (Dioscorea spp.). Revista Brasileira de Agroecologia, v. 20, n. 4, p. 547-571, 2025.

  1. Origem, cultivo e conservação da cultura alimentar e medicinal dos carás (Dioscorea spp.) 

Origin, cultivation and conservation of the food and medicinal culture of yam (Dioscorea spp.)

Origen, cultivo y conservación de la cultura alimentaria y medicinal del ñame (Dioscorea spp.)

Antonio Carlos Pries Devide¹, Cristina Maria de Castro2, Luís Carlos Bernacci3, José Carlos Feltran4, Pedro Mendes de Barros5, Graziela Maria Orfão Coelho6

1 Pesquisador na Apta Regional de Pindamonhangaba. Doutor em Fitotecnia - Agroecologia pelo Programa de Pós-Graduação em Fitotecnia pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro. Seropédica, Brasil. Orcid https://orcid.org/0000-0003-2663-8611 e e-mail antonio.devide@sp.gov.br

2 Pesquisadora na Apta Regional de Pindamonhangaba. Doutora em Solos pelo Programa de Pós-Graduação em Ciência do Solo pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro. Seropédica, Brasil. Orcid https://orcid.org/0000-0002-4020-8944 e e-mail cristina.castro@sp.gov.br

3Pesquisador na Apta Regional de Pindorama. Doutor em Biologia Vegetal pelo Programa de Pós-Graduação em Biologia Vegetal pela Universidade Estadual de Campinas. Campinas, Brasil. Orcid https://orcid.org/0000-0002-9403-2454 e e-mail luis.bernacci@sp.gov.br

4Pesquisador no Instituto Agronômico de Campinas. Doutor em Agronomia – Agricultura pelo Programa de Pós-Graduação em Agronomia – Agricultura pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho. Botucatu, Brasil. Orcid https://orcid.org/0000-0002-6141-6304 e e-mail jose.feltran@sp.gov.br

5Graduando em Agronomia na Universidade de Taubaté. Bolsista do Programa de Treinamento Técnico pela FAPESP. Taubaté, Brasil. Orcid https://orcid.org/0009-0006-6557-1885 e e-mail pedro_mendes-2013@hotmail.com

6Engenheira Agrônoma pela Universidade de Taubaté. Bolsista de Treinamento Técnico pela FAPESP. Taubaté, Brasil. Orcid https://orcid.org/0009-0001-5167-3374 e e-mail grazielageografia@gmail.com

 

Recebido em: 17 mar 2025 - Aceito em: 19 jul 2025 – Publicado em: 01 nov 2025

 

Resumo

Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANC) é uma denominação dada às plantas ou formas de consumo de uma espécie incomuns para a maioria da população. Os carás (Dioscorea) estão entre as plantas negligenciadas. Essa revisão visa ampliar o entendimento sobre esse gênero em termos botânicos, fitotécnicos, fitoquímicos, de conservação e do uso na alimentação e medicinal. O gênero Dioscorea tem 650 espécies, particularmente em regiões tropicais sazonais, sendo comum apresentarem tubérculos ricos em amido, fonte de energia, e em metabólitos secundários. Este é um dos gêneros com maior diversidade no país, presente em todos os estados e em todos os biomas, especialmente na transição para formações florestais abertas. No estado de São Paulo, ocorrem 48 espécies nativas do gênero (sete endêmicas do estado e 24 endêmicas do Brasil). A extração e o cultivo de carás medicinais (barbascos) precisa ser melhor estudado no Brasil.

Palavras-chave: Cultura alimentar, Planta Alimentícia Não Convencional, Agrobiodiversidade, Conservação genética.

Abstract

Unconventional Food Plants (UNFP) is a name given to plants or forms of consumption of a species that are unusual for most of the population. Yams (Dioscorea) are among the neglected plants. This review aims to broaden understanding of this genus in terms of botany, phytotechnology, phytochemistry, conservation, and food and medicinal use. The Dioscorea genus has 650 species, particularly in seasonal tropical regions, and commonly has tubers rich in starch, a source of energy, and secondary metabolites. This is one of the most diverse genera in the country, present in all states and all biomes, especially in the transition to open forest formations. In São Paulo State, there are 48 native species of the genus (seven endemic to the state and 24 endemic to Brazil). The extraction and cultivation of medicinal yams (barbascos) needs to be better studied in Brazil.

Keywords: Food culture, Unconventional Food Plant, Agrobiodiversity, Genetic conservation.

 

Resumen

Las plantas alimenticias no convencionales (UNFP) son plantas o especies que no son comúnmente consumidas por la mayoría de la población. El ñame (Dioscorea) se encuentra entre estas plantas olvidadas. Esta revisión busca ampliar la comprensión de este género en términos de botánica, fitotecnia, fitoquímica, conservación y su uso en alimentos y medicina. El género Dioscorea cuenta con 650 especies, particularmente en regiones tropicales estacionales, y comúnmente presenta tubérculos ricos en almidón, una fuente de energía, y metabolitos secundarios. Este es uno de los géneros más diversos del país, presente en todos los estados y biomas, especialmente en la transición a formaciones forestales abiertas. En el estado de São Paulo, se encuentran 48 especies nativas del género (7 endémicas del estado y 24 endémicas de Brasil). La extracción y el cultivo de ñame medicinal (barbascos) requieren mayor estudio en Brasil.

Palabras-clave: Cultura alimentaria, Planta Alimenticia No Convencional, Agrobiodiversidad, Conservación genética.

INTRODUÇÃO

Ao longo da história humana, mais de 7 mil espécies de plantas foram utilizadas como alimento, embora 30 mil sejam reconhecidas como potenciais alimentícias. No entanto, apenas 150 espécies

são comercialmente cultivadas, sendo que apenas quatro (arroz – Oryza sativa L., trigo - Triticum spp., milho – Zea mays L., e batata - Solanum tuberosum L.) concentram 60% do suprimento energético (Padulosi et al., 2013).

Cultivos negligenciados, plantas subutilizadas, cultivos tradicionais e Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANC) são denominações dadas às espécies ou formas de consumo de uma determinada espécie, incomuns para a maioria da população e que, normalmente, não entram nas estatísticas oficiais. Muitas destas espécies foram mais amplamente utilizadas no passado, daí a associação com os termos “tradicionais” e “subutilizadas”. Muitas vezes essas são negligenciadas pois não são amplamente consumidas, apesar de apresentarem alto valor nutritivo e relativa facilidade de cultivo ou exploração (Padulosi et al., 2013; Kinupp; Lorenzi, 2014; Baldermann et al., 2016).

Os carás (Dioscorea spp.) estão entre as plantas negligenciadas ou PANC (Hernández Bermejo; León, 1994; Padulosi et al., 2013; Kinupp; Lorenzi, 2014). Dioscorea alata L. (cará, cará-inhame, cará-do-chão, cará-de-rama ou inhame) é o mais difundido no Paraná e São Paulo, além de cultivado no  Rio de Janeiro, Minas Gerais, Mato Grosso e na região Nordeste e Norte, sendo o menos comum no Nordeste, onde D. cayennensis Lam. (cará-da-costa, inhame-de-pernambuco) é o mais cultivado (Peressin; Feltran, 2014; Couto; Fraga, 2020).

Existe grande confusão no uso dos termos “carás” e “inhames” para as espécies de Dioscorea (Dioscoreaceae) ou de Araceae - Colocasia esculenta (L.) Schott. No Brasil, o termo “carás”, de origem indígena, estava associado às espécies de Dioscorea (Corrêa, 1926). Embora o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA, 2010) tenha recomendado os termos “inhame” para Dioscorea e taro para a Araceae (IPGRI, 1999), os registros de cultivares sob o nome “inhame” (associado ou não a taro) correspondem à Araceae, não existindo, ainda, registros de espécies alimentícias de Dioscorea (MAPA, s/d). Nas estatísticas oficiais (São Paulo, 2009; IBGE, 2019), os termos “cará” e “inhame” são utilizados distintamente, não sendo utilizado o termo taro, sendo que, embora não seja explícito, há indícios de que “cará” se aplique a Dioscorea, enquanto “inhame”, à Araceae. “Caratinga” é outro nome popular frequentemente associado às espécies nativas de Dioscorea (IBGE, 1980; Rios; Pastore Jr., 2011), enquanto barbasco é o nome popular atribuído às espécies medicinais de Dioscorea, no México (De Teresa, 1999; Laveaga, 2005), e utilizado no Brasil (Zullo et al., 1987). Apesar de não tão difundido para espécies de Dioscorea, o termo barbasco é de uso corrente no Brasil, estando associado a plantas de uso medicinal, tal como Buddleja stachyoides Cham. & Schltdl., Verbascum virgatum Stockes e Pterocaulon virgatum (L.) DC. (Moreira; Bragança, 2011). Então, neste artigo denominamos de carás distintas espécies comestíveis do gênero Dioscorea e de barbascos àquelas medicinais.

O objetivo deste artigo é apresentar uma revisão atualizada sobre o potencial de cultivo e consumo das diferentes espécies de Dioscorea, abrangendo os aspectos de botânica, cultivo, regiões produtoras e usos na alimentação ou medicinal, visando à valorização e promoção da segurança alimentar e nutricional em torno de um gênero de plantas tão negligenciado.

METODOLOGIA

Uma revisão de literatura sobre Dioscorea foi realizada por meio do acesso de artigos originais ou de revisão, livros, monografias, dissertações ou teses e outros tipos de publicações técnico-científicas nas línguas portuguesa, espanhola, francesa e inglesa. Foram acessados trabalhos a partir dos descritores “Dioscorea”, “cará”, “inhame”, “diversidade”, “cultivo”, “agrofloresta”, “agricultura familiar”, “manejo”, “adubação”, “agroecologia”, dentre outros temas e seus equivalentes nas línguas consultadas, nas bases de dados Google Acadêmico, Scielo, Rede speciesLink, Rede Reflora e outras, de modo a contribuir com a caracterização de Dioscorea no mundo, sua origem, cultivo e nutrição.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Origem e características

O gênero Dioscorea Plum. ex L. foi estabelecido em 1753, tendo sido nomeado em homenagem a Pedanios Dioscorides (40-80 dC), considerado a principal autoridade em drogas, desde o século I até ao século XVIII, sendo conhecedor de laxantes leves e purgativos fortes, analgésicos para dores de cabeça, antissépticos, eméticos, agentes quimioterápicos e contraceptivos (Pedralli et al., 2004; Riddle, 2011), propriedades farmacológicas que algumas das espécies do gênero apresentam.

Dioscorea é um gênero bastante disperso, que pode ser encontrado tanto em regiões tropicais, subtropicais e temperadas (Montaldo, 1991; Pedralli et al., 2002; Siqueira, 2009). Constituído por espécies trepadeiras, dióicas ou monóicas, volúveis, geófitas, com tubérculos ou rizomas (Figura 1) providos de amido e saponinas esteroidais, corresponde ao maior gênero de Dioscoreaceae (mais de 90% das espécies) de distribuição majoritariamente tropical, sendo que a diversidade máxima, em consonância com a presença de órgãos de armazenamento pronunciados, é encontrada em climas sazonais (monção) (Purseglove, 1972; Cronquist, 1981; Huber, 1998; Kirizawa et al., 2016; Stevens, 2017).

A família Dioscoreaceae foi reconhecida inicialmente por Brown, em 1819, com o nome Dioscoreae e quanto à dispersão e conhecimento da espécie, são aproximadamente oito gêneros, com cerca de 850 espécies, sendo 95% pertencentes ao gênero Dioscorea (Coursey, 1967; Mabberley, 2008; Castro et al., 2012). Couto et al. (2018) relatam 650 espécies, sendo comum tubérculos ricos em amido, úteis como fonte de energia e, muitas vezes, contendo metabólitos secundários.

Em Dioscoreaceae, os cromossomos tendem a ser pequenos e numerosos, com o número variando de n = 6 a 72, com grande frequência de poliploidia, especialmente, tetraplóides, e ocorrência de ploidia variável dentro de uma única espécie, tal como no caso de D. alata L. e outras espécies cultivadas (Purseglove, 1972; Huber, 1998; Viruel et al., 2019). Os valores de δ13C de várias espécies estudadas de Dioscorea variaram de –25,4 a – 30,1‰, correspondendo ao tipo fotossintético C3 (Cornet et al., 2007).

Segundo Lebot (2009), o gênero Dioscorea apresentou ampla dispersão mundial ao final do período Cretáceo, evoluindo para o Novo e o Velho Mundo. Com isso, tiveram origem as espécies distintas nas Américas, África, Madagascar, Sul e Sudeste Asiático, Austrália e Melanésia. Couto et al. (2018) indicam quatro origens de Dioscorea nos Neotrópicos, sendo duas linhagens mais diversificadas originadas entre o Eoceno e o Oligoceno (aproximadamente entre 35 e 23 milhões de anos), respectivamente, no sul dos Andes e em um grande e desconectado grupo de áreas, incluindo América Central, norte dos Andes e Mata Atlântica. Ambas linhagens ocuparam a “diagonal seca” da América do Sul, após o Mioceno (23 e 5,3 milhões de anos), mas o clado Novo Mundo II tornou-se associado a habitats florestais. Várias trocas ocorreram entre a diagonal seca e os biomas florestais adjacentes, as dispersões para a América Central ocorreram antes do fechamento do istmo do Panamá e da dispersão de D. antaly Jum. & H.Perrier para Madagascar (Couto et al., 2018).

Figura 1 – Tubérculos subterrâneos (A – acesso SRT 97, e C – acesso SRT 108) do cará-do-chão (Dioscorea alata), barbasco (D, D. floribunda) e tubérculos aéreos do cará-do-chão (B) e do cará-do-ar (E-F, acesso cará-moela, D. bulbifera)

Fonte: Autores, 2025.

 

A região Neotropical abriga a maior diversidade de espécies de carás comestíveis, sendo que na América do Sul há variedades de Dioscorea possivelmente trazidas pelos portugueses no século XVI. Vavilov (1951) considera que as espécies D. alata e D. esculenta (Lour.) Burkill são originadas em Burma e Assam, localidades situadas na Índia. Chevalier (1946) assinala a origem africana da espécie D. cayennensis.

Até o ano de 2010 as coleções de germoplasma de Dioscorea somavam 15.903 acessos conservados in situ e o restante estava distribuído por mais de 98 instituições espalhadas em todo o mundo, especialmente na Índia, Vietnã, Filipinas, França e ilhas do Pacífico (FAO, 2010). O International Institute of Tropical Agriculture (IITA) era o maior curador, com cerca de 21% de todos os acessos registrados no mundo, destacando um aumento de 57% na quantidade de acessos de Dioscorea registrados na coleção, que abrange as espécies: D. cayennensis subsp. rotundata (Poir.) J.Miège (68%), D. alata (21%), D. burkilliana J.Miège (6%), D. abyssinica Hochst. ex Kunth (1,6%), D. cayennensis subsp. cayennensis (1,5%), D. dumetorum (Kunth) Pax (1,3%), D. bulbifera L. (1,2%), D. esculenta (0,4%), D. preussii Pax (0,17%) e D. mangenotiana J.Miége (0,14%) (Darkwa et al., 2020), sendo boa parte dos acessos mantidos na forma de culturas de tecido (IITA, 2018).

Em 2010, um grupo de especialistas preparou a estratégia global de conservação dos carás ex situ, dada a necessidade de aumentar a representatividade das coleções de Dioscorea das Américas e da Ásia. Em 2021, a estratégia global foi revista com a proposta de criar uma rede de coleções ex situ, dedicadas a preservar a máxima diversidade de espécies comestíveis de Dioscorea, da qual a Embrapa é signatária (Genesys, 2024).

Diversidade e conservação de carás no estado de São Paulo

Dioscorea é um dos gêneros com maior diversidade no Brasil, estando entre os 30 gêneros com maior número de espécies (130-140, das quais 94-104 são endêmicas) no país. Ocorrendo em todos os estados e em todos os biomas, especialmente na beira de formações arbóreas e na transição para formações abertas, com espécies naturalizadas (D. bulbifera) ou cultivadas (D. alata e D. cayennensis) (Forzza et al., 2010; Couto; Fraga, 2020).

Na Coleção de Germoplasma do Instituto Agronômico de Campinas (IAC), da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA), existem 24 acessos de D. alata e um ou mais acessos de D. bulbifera, D. composita Hemsl. e D. floribunda M.Martens & Galeotti, e algumas novas introduções recentes. No acervo do Herbário do IAC constam 60 amostras de 22 espécies de Dioscorea (43 amostras de 17 espécies coletadas no estado de São Paulo), referidas como de ocorrência nativa ou cultivadas no estado (IAC, 2025).

Em uma avaliação de acessos de Dioscorea, obteve-se apenas 68 descritores discriminantes, dentre 97 descritores avaliados (Perini et al., 2021). Para melhorar a caracterização morfoagronômica e a distinção dos acessos de Dioscorea, se tomando como base os descritores-chave definidos internacionalmente para este grupo de plantas (Bioversity International/IITA, 2009), devem ser avaliados os novos critérios, adaptados do International Plant Genetic Resources Institute /International Institute of Tropical Agriculture (IPGRI/IITA, 1997), que são: presença de tubérculos aéreos (1-presente, 2-ausente); presença de raízes nas túberas (1-presente, 2- ausente); formato das túberas (1-alongado, 2-oval, 3-irregular); cor da polpa das túberas (1-branca, 2-amarela, 3-roxa, 4-roxa com branco) e presença de baba após o corte das túberas (3-pouca, 5-intermediaria, 7-muita). Aspectos como tempo de cozimento, sabor, textura e coloração após o cozimento também devem ser avaliados.

Para o estado de São Paulo é relatada a ocorrência de 48 espécies nativas do gênero Dioscorea (sete endêmicas do estado e outras 24 endêmicas do Brasil), além de D. bulbifera (cará-de-árvore, cará-do-ar, cará-moela, inhame-do-ar), naturalizada, e D. alata, cultivada (Couto; Fraga, 2020). Entre as espécies nativas paulistas encontram-se duas: D. altissima Lam. e D. dodecaneura Vell., dentre as três espécies exploradas para consumo alimentício (Couto; Fraga, 2020). Mas há indicação de cultivo em São Paulo de outra espécie alimentícia nativa brasileira (D. trifida L.f.) (Nascimento et al., 2015), bem como da exótica D. cayennensis (Bressan et al., 2014). Dioscorea trifida tem ocorrência nativa indicada para Minas Gerais, Centro-Oeste e Norte, bem como alguns estados do Nordeste (Maranhão, Paraíba e Pernambuco) (Couto; Fraga, 2020). Além destas, há registros de ocorrência nativa de outras nove espécies em São Paulo. Ou seja, apesar da biodiversidade potencialmente disponível, as espécies nativas e mesmo as cultivadas de Dioscorea ainda são mal conhecidas, mesmo no estado de São Paulo, onde existem grandes universidades e centros de pesquisa.

Apesar da importância da matéria prima de Dioscorea com fins medicinais, apenas duas espécies (D. composita e D. floribunda) foram estudadas quanto à concentração de diosgenina entre os acessos da Coleção de Germoplasmas do IAC, verificando-se teores de 3,15 ± 1,41% e 4,72 ± 0,24% na matéria seca respectiva dos tubérculos (Zullo et al., 1987). Em D. composita o teor de diosgenina é crescente com a idade da planta, atingindo o máximo pronunciado em torno do terceiro ano de cultivo e estabilizando-se ao redor do sexto ano (Zullo et al., 1987). À exceção das nativas D. olfersiana Klotzsch ex Griseb. (Haraguchi et al., 1994), D. trifida (Mollica et al., 2013) e D. delicata R.Knuth (Kirizawa et al., 2016), dentre as espécies ocorrentes em São Paulo, os dados estão disponíveis apenas para espécies exóticas D. alata e D. bulbifera (Peng et al., 2011; Sheikh et al., 2013; Wong et al., 2015; Price et al., 2016; Wu et al., 2016; Ikiriza et al., 2019).

Considerando os dados da Rede speciesLink e da Rede Reflora, e excluindo-se as repetições, duplicatas e materiais em cultivo em Instituições (IAC, ESALQ, etc.), não foram encontrados exemplares de sete das espécies paulistas de Dioscorea: D. cinnamomifolia Hook., D. kunthiana Uline ex R.Knuth, D. lundii Uline ex R.Knuth, D. planistipulosa Uline ex R.Knuth, D. secunda R.Knuth, D. grisebachii Kunth, D. polystachya Turcz. (Couto; Fraga, 2020), e não há indicação de estado e município nas bases de dados para outra espécie: D. itapirensis R.Knuth, contudo indicada como tendo sido coletada em Itapira (SP) (Knuth, 1917).

Por outro lado, 11 espécies não indicadas com ocorrência para São Paulo, sendo duas sem indicação de ocorrência para o Brasil - D. gracilis Hook. ex Poepp. e D. ×monandra Hauman (Couto; Fraga, 2020), têm registros em herbários para o estado e demandam verificação de identificação e/ou ocorrência: D. acanthogene Rusby (AC ao TO e BA e daí até MG e MS), D. asperula Pedralli e D. deflexa Griseb. (MG, GO e DF), D. furcata Griseb. (RJ e PR ao RS), D. loefgrenii R.Knuth (assinalada para o estado de São Paulo, mas indicado como de Minas Gerais, nas observações), D. mantiqueirensis R.Knuth (ES), D. martiana Griseb. (CE a PE, MT, RJ e PR), D. orthogoneura Uline ex Hochr. (MS e GO até o MA- e daí até a BA e MG) e D. pseudomacrocapsa G.M.Barroso, E.F.Guim. & Sucre (RJ). No total, há o registro de 53 espécies (excluindo sinônimos e erros de grafia) com dados disponíveis nas Redes.

Carás e segurança alimentar, nutricional e medicinal

A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) registrou no ano de 2022 um aumento de 122 milhões de pessoas que passaram fome no mundo em relação a 2019, antes da pandemia de Covid-19. Na África, continente com a maior participação (98%) na produção de Dioscorea do mundo (75 Mt) (CIRAD, 2023), uma a cada cinco pessoas passa fome, sendo esse número mais que o dobro da média global. No Brasil e em muitos outros países onde há inflação no preço dos alimentos, tal ocorrência também contribui para agravar a insegurança alimentar da população vulnerável (Baccarin et al., 2022).

Observando o quadro da fome e o alto crescimento no consumo de alimentos ultraprocessados, questiona-se: qual o motivo das potencialidades dos alimentos naturais e saudáveis não serem valorizadas no Brasil?

Os carás são classificados como fonte de alimento energético para os consumidores, devido ao seu alto teor de amido, que chega a 80% em peso seco (Peroni, 2003; Zhu, 2015; Freire; Meira, 2023). A elevada proporção de amilose para amilopectina resulta nas propriedades e características funcionais do amido, como cristalinidade e digestibilidade (Obidiegwu et al., 2020).

Os carás constituem a base alimentar de mais de 100 milhões de pessoas, predominantemente na África (Price et al., 2016). Em Benin, a produção per capita foi de 155 kg.habitante-1.ano-1 e na Nigéria de 105 kg.habitante-1.ano-1. A África responde por 98,1% da produção global de Dioscorea, com 96% desse total sendo produzido no leste da África Tropical e em países do Golfo da Guiné (FAO, 2024). Na América, além das principais espécies, D. bulbifera e três espécies nativas (D. altissima, D. dodecaneura e, principalmente, D. trifida) têm sido cultivadas em maior escala ou extraídas para o consumo, sendo que em outras partes do mundo, mais outras quatro a sete espécies do gênero são as mais cultivadas, enquanto mais de 50 são extraídas como alimento (Purseglove, 1972; Kinupp; Lorenzi, 2014; Price et al., 2016).

O Brasil ocupa a 12ª posição entre os produtores de cará (de um total 57), com uma produção de 225 mil toneladas em 25 mil hectares de área cultivada (Oliveira et al., 2005). Isso representa o segundo lugar na produção de cará da América do Sul, que corresponde a apenas 0,3% da produção global, ficando o Brasil na 42ª posição em produção em relação ao tamanho populacional e na 48ª posição em relação à área territorial cultivada (FAO, 2024).

A cultura dos carás tem importância econômica e social significativa na região Nordeste, especialmente nos Estados da Paraíba e Pernambuco (Zona da Mata), como fonte alimentar e um papel vital na economia regional (Silva et al., 2024). Apesar de negligenciado, os carás têm, em regra, preços mais elevados que outras raízes e tubérculos, sendo, portanto, considerado um alimento das classes com maior poder aquisitivo, notadamente no Nordeste (observação pessoal).

Para a população amazonense, o cará é um alimento de baixo custo e alta qualidade nutricional (Rocha et al., 2020). No Amazonas, D. trifida é um alimento básico, consumido no café da manhã, junto das refeições ou como farinhas empregadas no preparo de pães e bolos. Dioscorea cayennensis é uma cultura com importância na economia regional no Vale do Guaporé, em Rondônia, que conta com cerca de 2 mil hectares cultivados (Ressutti, 2021). Agricultores familiares no município de Caapiranga (AM) respondem por cerca de 50% da produção estadual de cará de polpa roxa (D. trifida), que apresenta alta concentração de antocianinas e propriedades antioxidantes, sendo o preferido da população (Castro et al., 2012). Dada a importância da cultura para o município, foi incluído o Festival do Cará no Calendário Oficial de Eventos do Estado do Amazonas, 05 e 06 de Setembro (Lei Estadual 6.703/2024). Assim, Dioscorea é celebrada no Amazonas por estar enraizada na herança cultural transmitida de geração em geração, desde o ano de 2006 (Santos; Melo, 2021).

Tradicionalmente, os carás são consumidos de diversas maneiras, a depender da regionalidade no Brasil. No Nordeste, os carás são servidos cozidos com manteiga; em Santa Catarina, são empregados na produção de pães e biscoitos ou consumido cozido no café da manhã, ou sendo a forma mais usual, como opção à batata (Siqueira et al., 2014). Na região Sudeste, D. alata é cultivado em pequena e média escala de produção, com a agricultura familiar focando o autoconsumo e a venda de excedentes. Entretanto, destaca-se uma expansão no comércio na região Sul de Minas Gerais, onde os carás se tornaram uma das dez PANC mais representativas em área cultivada (Silva et al., 2022).

Os carás se enquadram como alimento benéfico para o bem-estar e a saúde, reduzindo o risco de doenças devido às características de alimento funcional (Monte-Guedes et al., 2019). Seu consumo deve ser estimulado para transpor as barreiras do regionalismo (Noronha, 2014). Talvez, o desconhecimento das formas de preparo e valor nutritivo desse importante alimento seja um dos motivos do pouco crescimento de seu consumo e da área plantada no Brasil, ao contrário da região amazônica. Isso ocorreu durante muito tempo com a batata-doce, Ipomoea batatas (L.) Lam., hoje tão apreciada e consumida, ao contrário de 30 anos atrás. Com a difusão da dieta vegana e/ou natural, o interesse pelos carás cresceu com o uso em diversos pratos e receitas (Oliveira, 2024).

Dioscorea bulbifera (cará-do-ar) pode contribuir com a segurança alimentar por estar amplamente distribuída no Brasil em cultivos em pequena escala, principalmente por agricultores familiares (Gentil et al., 2023).

Como alimento, os carás são ricos em diversas vitaminas do complexo B (tiamina, riboflavina, niacina), além das vitaminas A, vitamina C (ácido ascórbico) e carboidratos (99,59%), principalmente, em amido, o qual é a principal reserva energética dos vegetais e a principal fonte de carboidratos na dieta humana, além de apreciáveis teores de proteínas (0,09%) e gorduras (0,10%) (Peroni, 2003; Oliveira et al., 2007; Castro et al., 2012). Em relação às propriedades nutricionais, os carás são superiores a batata-inglesa e à mandioca (Manihot esculenta Crantz.) (Dias et al., 2020).

Os carás podem contribuir no combate à insegurança alimentar de populações em lugares de difícil acesso, por meio do beneficiamento na forma de farinha, o que aumenta o tempo de armazenamento do produto. A farinha de cará pode ser utilizada na produção de sopas, pães, bolos e “snacks” (Alves; Grossmann, 2002; Siqueira et al., 2014). As farinhas de casca e polpa de D. bulbifera têm bom potencial para o uso na panificação, com significativos teores de proteínas e glicídios totais (11,97 ± 1,35 e 12,30 ± 1,69 g.100 g-1) e amido (57,77 ± 3,73 e 75,70 ± 2,92 g.100 g-1), respectivamente, e elevados teores de conteúdos fenólicos na casca (806,62 mg ± 6,72 mg de Eq. ácido gálico.100 g-1) (Carneiro et al., 2020). Combinar a farinha de cará com farinha de arroz possibilita produzir um macarrão rico em proteínas hipoalergênicas e com boa aceitabilidade, após análise sensorial, semelhante às massas de trigo, podendo vir a atender a demanda emergente dos consumidores por produtos saudáveis. Algumas variedades de cará ainda são empregadas como plantas forrageiras por sua alta produtividade.

Devido às propriedades químicas, os tubérculos de Dioscorea são classificados como funcionais (Chiu et al., 2012; Chandrasekara; Kumar, 2016), como rica fonte de amido, fitoesteróis, alcalóides, vitamina C (ácido ascórbico), beta-caroteno (pró-vitamina A), vitaminas do complexo B (tiamina – B1, riboflavina – B2, e niacina – B3), proteínas (incluindo os aminoácidos lisina e leucina), gorduras, fibras, cálcio, cobalto, cobre, cromo, estanho, enxofre, ferro, fósforo, magnésio, manganês, niacina, potássio, selênio, silício, sódio e zinco (Brock; Autret, 1952; Purseglove, 1972; Sheikh et al., 2013; Peressin; Feltran, 2014; Dutta, 2015; Wu et al., 2016; Adepoju et al., 2017).

Determinadas espécies de Dioscorea têm um papel importante na medicina tradicional, sendo utilizadas no tratamento de diversas doenças (Sheikh et al., 2013; Kumar et al., 2017). Entretanto, os compostos antinutricionais, como o oxalato de cálcio, precisam ser identificados e estudados para subsidiar a ampliação do uso dos carás, dado o valor alimentar, medicinal e econômico que a cultura tem em determinadas regiões (Padhan; Panda, 2020).

Espécies de Dioscorea fazem parte da farmacopeia europeia (Hernández Bermejo; León, 1994) e são fontes ricas em sapogeninas esteroídicas, dentre elas a diosgenina (Zullo et al., 1987). A diosgenina é uma das mais importantes matérias-primas farmacêuticas para medicamentos de natureza esteroídica (como corticoides, progestágenos e anabolizantes) (Shen et al., 2018), com crescentes relatos sobre suas funções farmacológicas (Raju; Rao, 2012; Deshpande; Bhalsing, 2014). Há maior riqueza e diversidade de espécies entre as Dioscorea medicinais do que entre as alimentícias. Diosgenina já foi constatada em 137 diferentes espécies de Dioscorea, sendo que em 41 delas a concentração era maior do que 1%, consistindo em grande valor de uso (Shen et al., 2018).

Entretanto, poucas espécies nativas brasileiras foram investigadas quanto à diosgenina, entre elas D. laxiflora Mart. ex Griseb. e D. olfersiana Klotzsch ex Griseb. (Haraguchi et al., 1994). E, mesmo para espécies exóticas de barbasco, não há cultivo no Brasil, apesar da nossa biodiversidade nativa de Dioscorea ser um grande indicativo das possibilidades de coleta e cultivo em nosso país (Souza et al., 2024). No México, entre 1943 e 1975, primeiro a cabeça de negro (D. mexicana Scheidw.) e depois do barbasco (D. composita), e em menor medida o barbasco amarelo (D. floribunda), foram extraídas cerca de 1,5 milhão de quilogramas de túberas frescas em 32 anos de exploração nas florestas tropicais úmidas. Apesar da riqueza gerada na exploração do barbasco para extração da diosgenina, poucos benefícios foram deixados para os coletores, mas aproximou a academia da indústria e contribuiu para o desenvolvimento de disciplinas como química, botânica, ecologia tropical e etnobotânica (Peña, 2023).

Na medicina popular, D. alata e D. bulbifera, entre outras, são tradicionalmente utilizadas contra uma série de moléstias, com indicações científicas quanto ao potencial curativo e com resultados comprovados em relação às alergias, hiperglicemia, osteoporose e outras doenças (Pereira et al., 2002; Peng et al., 2011; Mollica et al., 2013; Sheikh et al., 2013; Hung et al., 2014; Rego et al., 2014; Dutta, 2015; Wong et al., 2015; Price et al., 2016; Wu et al., 2016; Ikiriza et al., 2019).

Aspectos do cultivo agroecológico dos carás

As plantas de Dioscorea são rústicas e bem resistentes às pragas e doenças, adaptando-se em quase todas as regiões tropicais e subtropicais (Castro et al., 2012). Deve-se dar preferência às regiões com estação seca bem definida de dois a cinco meses, precipitação pluvial anual de 1.500 mm e temperatura média na estação de cultivo na faixa de 30 ºC. Solos leves, profundos, ricos em matéria orgânica e com boa capacidade de retenção de umidade, não sujeitos ao encharcamento, são os mais indicados, porque solos argilosos prejudicam o desenvolvimento das túberas (Peressin; Feltran, 2014).

Para o plantio de Dioscorea são necessárias de 3 a 5 t.ha-1 de tubérculos-sementes de tamanho médio, pesando de 60 a 150 g e, no caso de tubérculos graúdos, pode-se cortá-las transversalmente ao meio e armazená-las em lugar ventilado para cicatrização e em sequência efetuar o plantio de junho a outubro (Peressin; Feltran, 2014). O manejo das túberas-sementes deve evitar a introdução de pragas e doenças na área de cultivo. Nos Tabuleiros Costeiros do Nordeste, a alta umidade relativa do ar e chuvas frequentes, temperaturas máxima e mínima em torno de 30 ºC e 21 ºC, respectivamente, foram condições favoráveis à queima das folhas dos carás, também denominada pinta-preta, sendo o agente etiológico Curvularia eragrostidis (Henn.) Meyer disseminado pelo vento, restos culturais e túberas-sementes contaminadas, tornando-se a mais severa doença foliar nas áreas de cultivo (Noronha, 2014). No Recôncavo Baiano, a ampla disseminação de fitonematoides nas túberas-sementes contaminadas se tornou um gargalo para a sustentabilidade da produção de cará (Santana, 2003; Castro et al., 2012).

Considerando que as principais doenças em Dioscorea são transmitidas e disseminadas por meio de túberas-sementes contaminadas (Noronha, 2014), verifica-se no manejo agroecológico que a imersão das tubérculos-semente em “manipueira” por um período de 6 h (60% de “manipueira”) (Carmo, 2009) a 9 h (25%) (Lima et al., 2020) pode induzir 100% de mortalidade do nematoide Scutellonema bradys (Steiner & LeHew) Andrássy, causador da doença ‘casca preta-do-cará’ (Carmo, 2009; Lima et al., 2020). O extrato de nim (Azadirachta indica A.Juss) (2%) é outro eficiente tratamento para as túberas-sementes (Barbosa et al., 2010). A aplicação de “manipueira” na parte aérea das plantas, também foi efetiva no controle da queima-das-folhas, aumentando o peso médio das túberas (Almeida et al., 2013).

Para o controle no solo, o uso de plantas antagônicas, como a crotalária (Crotalaria juncea L.), cultivada por um período aproximado de dois anos, solteira ou associada ao guandu (Cajanus cajan (L.) Huth), nas entrelinhas dos carás, foi eficiente para diminuir a infestação dos nematoides fitoparasitos S. bradys e Rotylenchulus reniformis Linford & Oliveira nas áreas de cultivo de Dioscorea (Garrido et al., 2008).

Por se tratar de uma espécie trepadeira de caule herbáceo, a orientação do crescimento da planta de Dioscorea favorece o seu desenvolvimento vegetativo, o que pode ser feito utilizando o tutor simples ou espaldeira. Na Baixada Cuiabana (MT), o uso de tutor é preferido para variedades mais exigentes, conforme observado com D. trifida (Castro et al., 2012). Ao colocar uma vara de bambu de 1,50 m de comprimento ao lado da planta, no momento do plantio ou por ocasião da emergência, por si só as plantas encostam e enrolam no tutor, impedindo o contato da parte aérea com o solo (Carvalho et al., 2014; Oliveira et al., 2015).

No Planalto Paulista e no Noroeste Paulista, os cultivos normalmente são feitos em monocultivo e sem o tutoramento, e utiliza-se a irrigação por aspersão, embora a planta vá bem em regiões quentes e com boa precipitação e umidade, a exemplo do que ocorre no Vale do Ribeira e Vale do Paraíba, no estado de São Paulo (Peressin; Feltran, 2014).

Mas, na maior parte do mundo, o cultivo de Dioscorea ainda é realizado em plantio itinerante, após o corte e queima da vegetação florestal (CIRAD, 2023). Esse sistema, chamado de pousio, roça-de-toco ou coivara, constitui uma tradição milenar da maioria das populações indígenas, sendo assimilada pelas populações remanescentes de processos de colonização (Adams, 2000; Ferreira et al., 2020; Souza et al., 2024). O sistema inicia com a derrubada e a queima da floresta para o cultivo da roça por um período que pode variar de 1 a 3 anos, passa por outro período de pousio para a fertilidade do solo retornar às condições antecedentes à instalação da roça, o que assegura a sustentabilidade do sistema, por um período variável que vai de 5 (Ferreira et al., 2024) a 30 anos (Neves et al., 2012).

Especialistas defendem o conceito de florestas-culturais, em que boa parte da diversidade biológica das florestas tropicais atuais evoluiu em um processo milenar, em conjunto com esse tipo de atividade humana (Neves et al., 2012). Esses sistemas conservam uma grande diversidade de Dioscorea em diferentes regiões do Brasil (Castro et al., 2012; Ferreira et al., 2020; Souza et al., 2024). A criação de bancos comunitários das variedades locais de Dioscorea seria fundamental para melhorar a conservação in situ/“on farm” e para estudos de diversidade genética e evolução (Castro et al., 2012). As práticas de manejo e a troca de materiais entre os agricultores tradicionais do Vale do Ribeira (SP), enfatiza o importante papel que eles desempenharam na conservação in situ de D. alata (Bressan et al., 2011).

No Brasil, é comum encontrarmos uma grande diversidade de Dioscorea em pequenos roçados, ao invés de uma única espécie (Nascimento et al., 2015; Ferreira et al., 2020; Souza et al., 2024). Os consórcios com diversidade de plantas e cultivos tradicionais de outras tuberosas, tais como mandioca e batata-doce (Ferreira et al., 2020), têm um papel fundamental na conservação de etnovariedades de Dioscorea e na promoção da segurança alimentar e nutricional das famílias (Souza et al., 2024). Os quintais agroflorestais estão presentes em diversas regiões, como em Sinop (MT), onde ocorrem  cará-doce (D. trifida) e cará-inhame (D. cavennensis) (Rondon; Hoogerheide, 2020); em Santa Catarina, no entorno da baia de Babitonga, onde os carás nativos e exóticos são cultivados em roçados e em solos antropogênicos, em monocultivo ou em consórcio com milho ou inhame (Souza et al., 2024); ou em áreas do sul do estado de São Paulo (SP), sendo cultivadas diferentes variedades crioulas de D. alata no sistema de corte e queima da vegetação por agricultores tradicionais que utilizam os carás para o consumo próprio e algumas famílias também cultivam para mercados locais, seguindo o mesmo modelo de agricultura de subsistência, caracterizada por baixo consumo de energia e trabalho familiar intensivo (Bressan et al., 2011).

O “Centre de Coopération Internationale en Recherche Agronomique pour le Dévelopment” (CIRAD) tem buscado atuar na África, Ásia e América Latina, propondo sistemas que melhorem a fertilidade dos solos com técnicas de pousio, cultivo sequencial (rotação), consórcio de culturas, manejo de plantas de serviço e da agrofloresta. Além disso, busca promover o uso de diversidade varietal e a difusão de genótipos selecionados de Dioscorea (CIRAD, 2023).

Os sistemas agroecológicos de cultivo dos carás devem buscar a conservação do solo, conciliar o uso de culturas de cobertura, adubos verdes, cobertura morta (Eruola et al., 2012) ou mulching plástico (Carvalho et al., 2014). O uso de cobertura morta de capim reduziu a temperatura máxima do solo em até 2 °C a 15 cm de profundidade, no período térmico crítico (janeiro a março), levando a uma maior emergência e produtividade de túberas de D. cayennensis subsp. rotundata de 4-6 toneladas ha-1.safra-1 maior do que o mulching de polietileno ou sem cobertura morta (Eruola et al., 2012).

No Sistema de Plantio Direto (SPD), assim como avaliado para a cultura da mandioca, as plantas de cobertura selecionadas para o sistema com os carás devem reciclar os nutrientes requeridos pelos carás e aportar quantidade de resíduos para manter o solo coberto a fim de reduzir a necessidade de capinas e irrigação (Devide et al., 2019). No SPD, o preparo do solo deve ser reduzido e localizado na linha ou no berço de plantio, com o mínimo intervalo de tempo entre o manejo das plantas de cobertura e o plantio dos carás, ficando os resíduos roçados em cobertura sobre o terreno.

Os carás são hábeis em aproveitar o efeito residual dos adubos aplicados nas culturas anteriores (Peressin; Feltran, 2014). A fertilização para os carás demanda a adição de matéria orgânica e calcário, para elevar a saturação por bases a 80%. De acordo com a análise do solo, deve-se aplicar no plantio, 20 kg.ha-¹ de N, 50 a 100 kg.ha-¹ de P2O5 e 40 a 100 kg.ha-¹ de K2O (Oliveira et al., 2011). A incorporação de matéria orgânica com antecedência ao plantio, também ajuda a diminuir a população de nematoides fitoparasitos (Santos et al., 2009).

As plantas de carás respondem de forma variável ao sombreamento. Dioscorea esculenta, por exemplo, mostrou-se moderadamente tolerante a 75% de sombreamento (Johnston; Onwueme, 1998), enquanto D. alata apresentou diferenciação com intensidades luminosa de 42, 72 e 102 μmol.m-2.s-1, o que não ocorreu apenas com 12 μmol.m-2.s-1 (John et al., 1993). No cultivo em Sistema Agroflorestal (SAF), o uso da terra integra espécies perenes lenhosas e culturas agrícolas e/ou pecuária, em arranjos espaciais e temporais, obtendo-se benefícios econômicos e ecológicos (Schroth et al., 2004; Batish et al., 2008; Umrani; Jain, 2010; Bernacci et al., 2021). Há uma ampla variedade de combinações e possibilidades para os SAF (Bernacci et al., 2021), sendo a biodiversidade constituída tanto por componentes planejados como não planejados, que interagem otimizando os processos ecológicos com benefícios ambientais e socioeconômicos (Schroth et al., 2004).

Dioscorea está presente em quintais agroflorestais ou “homegardens” no Brasil e no mundo, em sistemas que evoluíram pelas mãos camponesas, são manejados no entorno das moradias e conservam grande diversidade de carás de uso alimentar e medicinal (Nascimento et al., 2015; Ferreira et al., 2020; Rondon et al., 2020; Bagang et al., 2024; Souza et al., 2024).

CONCLUSÕES

Os carás (Dioscorea) são um cultivo negligenciado no Brasil. Não existem informações consistentes e nem material de propagação para aumentar a escala de produção, embora exista grande diversidade em bancos de germoplasma, sob posse de agricultores ou material propagativo nativo. Esta biodiversidade, entretanto, é muito pouco conhecida e informações essenciais, como a distribuição e condições ambientais de desenvolvimento, composição química e genética, estão disponíveis para uma minoria de espécies ou acessos ou não são integradas entre si. O cultivo dos carás medicinais (barbascos) pode se tornar uma nova opção ao cultivo ou extração, mas precisa ser mais pesquisado no Brasil.

AGRADECIMENTO

Agradecemos à Fapesp - Fundação de Apoio à Pesquisa no Estado de São Paulo, pelo financiamento da pesquisa (Processo 21/00999-4), incluindo concessões de bolsas de apoio técnico aos co-autores GMOC e PMB.

 

Copyright (©) 2025 - Antonio Carlos Pries Devide, Cristina Maria de Castro, Luís Carlos Bernacci, José Carlos Feltran, Pedro Mendes de Barros, Graziela Maria Orfão Coelho.

 

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Revista Brasileira de Agroecologia
ISSN 1980-9735

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