DISCURSOS DE ÓDIO E OS DESAFIOS À SUSTENTABILIDADE DA DEMOCRACIA CONSTITUCIONAL

Autores

DOI:

https://doi.org/10.26512/pl.v13i30.55529

Palavras-chave:

Discurso de Ódio. Democracia. Esfera Pública. Ambiente Virtual.

Resumo

O presente artigo teve como objetivo pesquisar a problemática relacionada ao fenômeno da reverberação de discursos de ódio na sociedade e seus reflexos sobre a sustentabilidade institucional e social das democracias constitucionais contemporâneas. Com base na pesquisa bibliográfica acerca do tema, foi possível observar e descrever os conceitos, características e os processos de fomento e reprodução de discursos de ódio no universo do mundo digital, haja vista que esse ambiente é local preferencial daqueles que fazem germinar, sobretudo através das redes sociais, essa forma discursiva nociva à plataforma de valores e à arquitetura normativa das democracias constitucionais. Foi possível observar que o ambiente online permite a rápida propagação do ódio como discurso contra minorias e grupos socialmente vulnerabilizados, ao mesmo tempo que se afigura capaz de induzir a formação de uma massa de odiadores digitais que tendem a contestar os valores da alteridade, do pluralismo político e o regime do uso livre da palavra, fundamentos importantes do constitucionalismo democrático. Verificou-se, ainda, que o hate speech tende, de um lado, a fortalecer o antagonismo político e social, estimulando uma subjetividade antidemocrática que enfraquece a legitimidade social das instituições públicas estatais responsáveis pela garantia da democracias e, de outro, fomenta novas formas de exclusão política e social na medida em que colonizam com ódio discursiva e segregativos as esferas públicas perante as quais o Estado Democrático de Direito das democracias constitucionais deve prestar contas.

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Biografia do Autor

  • Lucas Rego Silva Rodrigues, Centro Universitário Jorge Amado

    Doutorando em Jurisdição Constitucional e Novos Direitos pela Universidade Federal da Bahia (UFBA). Mestre em Direito Público pela Universidade Federal da Bahia (2010). Pós-graduado em Direito Urbanístico e Ambiental pela PUC-MINAS. Graduado em Direito pela Universidade Católica do Salvador (2006). Membro do Grupo de Pesquisa Direito, Sentido e Complexidade Social.- DSComplex/UFBA. Coordenador do grupo de pesquisa Discurso do ódio, fake news e a crise do constitucionalismo democrático na contemporaneidade/ Unijorge. Professor dos cursos de Direito da Universidade do Estado da Bahia (UNEB) e da Unijorge. Professor convidado de cursos de Pós-graduação em Direito na Bahia. Membro Conselho Consultivo e Parecerista da Revista Seara Jurídica da Unijorge. Advogado. Consultor na área de Direito Urbanístico, com ênfase em regularização fundiária. 

  • Adriana Alves Fernandes Mocinho, Centro Universitário Jorge Amado

    Graduada em Direito pelo Centro Universitário Jorge Amado (UNIJORGE). Advogada do Núcleo de Prática Juridica da referida instituição.

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Publicado

31-03-2025

Edição

Seção

Artigos

Como Citar

DISCURSOS DE ÓDIO E OS DESAFIOS À SUSTENTABILIDADE DA DEMOCRACIA CONSTITUCIONAL . (2025). PÓLEMOS – Revista De Estudantes De Filosofia Da Universidade De Brasília, 13(30), 42-59. https://doi.org/10.26512/pl.v13i30.55529