Chamada de Trabalhos - Seção Temática Domínios da Tectônica

21-10-2025

Está aberta, até 31/01/2026, a chamada de trabalhos para a Seção Temática Domínios da Tectônica, tendo como editores convidados os professores Ricardo Alexandre Paiva (UFC) e Fernando Diniz Moreira (UFPE), em conjunto com editores regulares da Paranoá, os professores Leandro Cruz (UnB) e Luciana Saboia (UnB). A chamada pretende explorar debates sobre teoria, projeto e obra construída, incentivando-se submissões com interpretações alargadas sobre a tectônica nos campos da Arquitetura, do Urbanismo e da Paisagem.

Uma das compreensões das origens da Arquitetura remete à raiz etimológica do termo, que apresenta uma ligação de procedência com o significado e o signo de “tectônica”. Conforme a leitura de Carlos Brandão (2001), para os gregos a palavra arquitetura deriva de “tektonicos” – no sentido de carpinteiro, artesão, ou ato de edificar – precedido pelo radical “arché” – expressando origem, início, fundamento, autoridade. Tal relação foi estabelecida por Eduard Seckler ainda nos anos 1960, sendo posteriormente retomada e ampliada por Kenneth Frampton como instrumento de leitura crítica de diferentes culturas arquitetônicas desde o século XIX (Sekler, 1965; Frampton, 1995, 2024).

As transformações tecnológicas impulsionadas pelo modelo de desenvolvimento das sociedades ocidentais têm provocado, desde o século XIX, significativas alterações no meio natural e intensificado o aparente antagonismo entre a cultura e a natureza, com repercussões significativas no caráter da tectônica na teoria e prática da arquitetura (Paiva, 2017). Apesar da polissemia e das contradições conceituais, Kenneth Frampton, ao trazer a questão da tectônica na contemporaneidade, ofereceu novas perspectivas de análise, superando tanto a ênfase à abstração e à fluidez do espaço interior, característica do modernismo, quanto os debates em torno da imagem e do significado, típicos do pós-modernismo (Amaral, 2009).

Essas questões devem considerar, ainda, que as culturas arquitetônica e urbanística contemporâneas são mediadas por certo caráter atectônico, decorrente da virtualização do campo e da ênfase no ocularcentrismo (Pallasmaa, 2005). Pode-se afirmar que estamos diante de uma transformação da cultura tectônica, considerando as mudanças na forma de projetar na era digital e nos instrumentos disponíveis para a produção de componentes (Leach; Turnbull; Williams, 2004; Carpo, 2025). São particularmente bem-vindas contribuições que abordem os seguintes tópicos:

  • origem e história da arquitetura, sua concepção, fabricação e produção (inclusive simbólica), enfim, a arte/ técnica de construir em perspectiva histórica;
  • a produção do espaço social, como expressão dos processos sucessivos de transformação da natureza pela cultura por meio do trabalho do homem, incluindo a relação da tectônica com divisão social do trabalho na produção do ambiente construído (agentes; o projeto e o canteiro etc.);
  • o lugar, considerando as preexistências ambientais e culturais, assim como as dimensões da paisagem e das infraestruturas;
  • as tecnologias (matéria-prima, processos construtivos e estruturais, novas materialidades etc.) e meios de representação do projeto (real x virtual; material x digital);
  • a forma, não simplesmente como dedução da construção e da estrutura, mas também na sua condição simbólica e cultural (autonomia e heteronomia da forma, tectônica x estereotomia etc.);
  • a teoria, investigando permanências e transformações recentes na relação entre as estratégias de projeto e as condições materiais e imateriais de produção do espaço, e os conflitos entre a universalidade dos materiais e técnicas e as especificidades dos sítios, ou seja, como resolver o conflito entre tecnologia e lugar;
  • a teoria, investigando como os edifícios podem atender aos aspectos existenciais e humanos, por meio dos da nossa experiência dos materiais nele constantes, e como podem podem reforçar nossa sensação de realidade e de presença no mundo.

Como Participar

As submissões devem ser encaminhadas até o dia 31 de janeiro de 2026, pelo site da revista Paranoá. No ato da submissão, os autores deverão selecionar a opção “Seção Temática: Domínios da Tectônica” e observar as orientações relacionadas às “Condições para submissão”. Os trabalhos devem seguir o modelo de formatação da revista, conforme o Template de artigos da Paranoá, acompanhados da Carta de Apresentação de manuscritos no momento do envio. Serão aceitas propostas de Artigo Original, Traduções e Entrevistas.

Editores

Ricardo Paiva (Universidade Federal do Ceará)
Fernando Diniz Moreira (Universidade Federal de Pernambuco)
Leandro Cruz (Universidade de Brasília)
Luciana Saboia (Universidade de Brasília)

Referências da Chamada

AMARAL, Izabel. Quase tudo que você queria saber sobre tectônica, mas tinha vergonha de perguntar. PosFAUUSP, São Paulo, Brasil, n. 26, p. 148–167, 2009. DOI: https://doi.org/10.11606/issn.2317-2762.v0i26p148-167. Acesso em: 18 set. 2025.

BRANDÃO, Carlos Antônio Leite. A formação do homem moderno vista através da arquitetura. Belo Horizonte: Editora da UFMG, 2001.

CARPO, Mario. AI Tectonics, or the culture wars of building technology. Architectural Intelligence, v. 4, art. n. 2, 23 jan. 2025. DOI: https://doi.org/10.1007/s44223-024-00081-0. Acesso em: 18 set. 2025.

FRAMPTON, Kenneth. Studies in tectonic culture: the poetics of construction in nineteenth and twentieth century architecture. Cambridge: The MIT Press, 1995.

FRAMPTON, Kenneth. Reflexões sobre o escopo da tectônica. Tradução: Monica Aguiar; Marcos Favero; Mara Eskinazi. Thésis, n. 17, p. 315-349, ago. 2024. DOI: https://doi.org/10.51924/revthesis.2024.v9.521. Acesso em: 18 set. 2025.

LEACH, Neil; TURNBULL, David; WILLIAMS, Chris (ed.). Digital tectonics. Chichester: Wiley-Academy, 2004.

PAIVA, Ricardo Alexandre. Modernidade (arqui)tectônica: a arte de construir. In: AFONSO, Alcília (org.). Modernidade no Norte-Nordeste Brasileiro: o diálogo entre arquitetura, tectônica e lugar. Teresina: EDUFPI; Editora Gráfica Cidade Verde, 2017, v. 1, p. 143-167.

PALLASMAA, Juhani. The eyes of the skin: architecture and the senses. Chichester: John Wiley, 2005.